Curso de Pro Tools aula 6 - Corrupção

Infelizmente a corrupção é endêmica em nosso país.
Ela não está só, lá nos dois predinhos gêmeos interligados por uma pontinha e com duas cúpulas, nem se alastra apenas até os predinhos próximos dispostos feito dominó, nem aos seus arredores magníficos que eram para ser a mais legítima expressão de uma arquitetura para uma nação moderna, justa e unida idealizada pelo Oscar Niemayer e Lúcio Costa, mas está muito bem presente também no parque aquático pelo furador de fila do escorregador, na vaga de cadeirante e de idoso pelo boy com pernas boas que estaciona, dentro do taxi do motorista que pega o caminho mais longo, escrita no atestado falso emitido por um médico medíocre e até no canudo sujo reutilizado no copo de suco que a lanchonete serviu.

Até no Pro Tools existe corrupção, mas essa é diferente e obviamente não atua no contexto da "polititica" nem da "ecoconomia", mas no campo quase abstrato dos números binários. Essa corrupção é diferente por não ter má índole, mas chega a atrapalhar, fato, e geralmente ocorre apenas nos arquivos que ficam corrompidos ocasionalmente e sem querer, quando os números binários que os compõe deixam de fazer sentido. Contudo, sessões ocasionalmente também podem sofrer desse mal, mesmo sendo raro, mas quando realmente está presente, deve-se ao fato do usuário corrupto estar usando uma versão pirata e daí esclarecemos a fonte dos problemas.

Mas, se você é idôneo assim como seu Pro Tools, quando isso acontece, relaxe, pois há solução sem que seja necessário impeachment e votação às pressas para que nenhuma tiririca nasca na horta. Normalmente a corrupção começa no arquivo de visualização da onda dos clipes. Seu sintoma é uma mera visualização esquisita na tela do Pro Tools e para resolver esse problema feche sua sessão, vá até a pasta da sessão e delete o arquivo WaveCache.wfm. Da próxima vez que o Pro Tools abrir ele irá gerar automaticamente um novo arquivo de visualização e tudo voltará ao normal.


FIG 1 - Arquivo WaveCache.wfm. Mande-o para Curitiba, digo: delete-o para que tudo volte ao normal.

Outro tipo de arquivo que pode dar problema são os arquivos de áudio da própria sessão. Esses são mais difíceis de consertar, caso realmente apresentem problema. A forma mais branda de corrupção destes é quando foram movidos sem intenção para outro lugar pelo próprio usuário, daí o Pro Tools automaticamente abre a janela para busca e realocação destes quando a sessão abre e não há quórum.


FIG 2 - Na CPI de arquivos corruptos do Pro Tools essa é a janela de mandado de busca e apreensão.

Quando essa janela abre temos algumas opções: Skip, que significa pular, mantendo a sessão a partir de então sem o arquivo corrupto pela ausência; Manually Find and Relink, que permite você navegar pelo seu HD até achar o arquivo em questão e Automatically Find and Relink, que acha o dito cujo automaticamente escaneando todos os lugares como um anti-vírus e é esta a opção que indico e que deve estar ticada por default. Se tudo der certo: ok, salve a sessão e continue trabalhando, mas atente: O arquivo continua onde ele está, potencialmente propenso a ficar perdido de novo, portanto use a funcionalidade Save Copy In do menu File para salvar sua sessão inteira em novo lugar copiando também os arquivos dela, ticando a caixa Audio Files no campo Items to Copy. Pode ser necessário também visitar a janela Task Manager para selecionar e deletar manualmente a atividade de busca de arquivos procurados para que os avisos de atividades pendentes cessem.


FIG 3 - Função Save Copy In. Coloque tudo em um novo lugar, por segurança.

Se você achou o arquivo e ele voltou à sessão, mas insiste em não tocar, é um caso mais grave e você pode tentar as seguintes manobras:

1) Delete o arquivo da sessão, mas não apague-o.
2) Vá ao menu File/Import/Audio, ache o seu arquivo corrupto e importe-o novamente para a sessão, convertendo-o se for necessário.

Isso geralmente resolve o problema, caso contrário, pode ser que o arquivo esteja realmente corrompido, daí precisamos de uma ajuda da Polícia Federal, quero dizer, de um programa adicional.

Procure o aplicativo WaveFixer na internet. É um aplicativo gratuito especialmente desenvolvido para corrigir problemas dentro de arquivos do tipo wave.


FIG 4 - WaveFixer. Deve ser parente do Japonês da Federal.

Abra-o, clique no botão Select Files to Repair, ache seu arquivo e clique Go. Pronto! Tudo deve voltar a funcionar. Reimporte o arquivo para dentro da sessão. Esse programinha é apenas para Mac OS X, no Windows você pode tentar usar o SoundForge, mas eu não saberia lhe dizer como.

Em um cenário mais dramático pode ser que a sessão inteira esteja com problemas e não abra de jeito nenhum. Isso pode acontecer sim, nem sempre tem explicação, mas também tem solução.

Conforme você trabalha nas suas sessões o Pro Tools vai salvando Backups automáticos de tempos em tempos na pasta File Session Backups, que fica dentro da pasta de sua sessão. Lá você pode escolher e abrir o último backup (ou um dos últimos) feito antes de dar problema e salvar a sua pele. Vá até lá e abra um desses arquivos. Obviamente algo será perdido, como alguma edição ou algum take, mas pelo menos você não precisará partir do zero. Melhor perder uma batalha do que a guerra!


FIG 5 - Backups da sessão feitas automaticamente pelo Pro Tools. Ideal na eventualidade de algum pacote de cortes.

Se você quiser ver onde fica essa preferência de backup automático e gerenciar a velocidade na qual os Backups são criados vá em Preferences/Operation/Auto Backup.


FIG 6 - Backup automático. Nosso Habeas Corpus no Pro Tools, mantenha-no ativo para qualquer eventualidade.

Outra medida provisória que vem para o bem é importar os dados da sessão em uma nova sessão. Faça assim:

1) Crie uma nova sessão definindo seus parâmetros de qualidade como vimos anteriormente em outra aula.
2) Vá ao menu File/Import/Session Data.

A janela Import Session Data abre-se e é bem complexa. Na melhor das hipóteses mude o campo Track Data to import de Some (algum) para All (tudo) e pressione o botão ok para ver se tudo da certo.


FIG 7 - Janela Import Session Data, processo complicado, mas eficiente.

Se mesmo assim algo ainda estiver fora do regimento da casa, pode ser que sejam necessários alguns ajustes adicionais na janela Import Session Data. O primeiro a ser considerado é a reimportação dos arquivos de áudio com conversão.

Para isso vá ao campo Media Options e selecione a opção Force to Traget Session Format, isso irá converter todos os arquivos para o formato da sessão que você acabou de criar a pouco. Isso normalmente resolve outro tipo de problema insistente e daí podemos continuar trabalhando sossegadamente.

Outra delação premiada possível das sessões que insistem em não abrir é o fato destas estarem contidas, em parte ou em todo, em unidades que não tem privilégios de gravação ou de acesso para reprodução. Para isso podemos absolvê-las dando-lhes a permissão adequada. Normalmente esse problema acontece quando tentamos tocar arquivos de áudio direto de CD-ROM ou unidades remotas de rede, ou de backups que estão em discos externos, mas o Pro Tools automaticamente abre uma caixa pedindo para você salvar os arquivos em outra unidade válida, igualzinha a figura abaixo:


FIG 8 - Caixa pedindo para você salvar sua sessão em uma unidade com permissões válidas.

Mas assim não tem graça e vale mais a pena conhecermos como ajustarmos isso manualmente para cada unidade que temos em nosso computador do que clicar ok e continuar sem saber o que foi feito.

Vá então ao menu Window e escolha a opção New Workspace.
As unidades presentes no computador, como o HD interno, aparecem listadas, junto com pen-drives e CDs inseridos. Perceba que há uma guia permissions nessa janela, alí há 3 opções possíveis: R, de Record (gravar), P de Playback (reproduzir) e T de Transfer (transferir). As unidades de armazenamento que você usa para gravar devem ter a permissão R para si. As unidades que estão plugadas no computador, mas apenas irão reprpoduzir arquivos pelo Pro Tools podem ficar definidas como P, entretanto se alguma delas forem definidas para T somente poderão transferir arquivos entre sessões e não será mais possível reproduzí-los nem gravar nessas unidades. Neste caso, nessa janela, mude a permissão da unidade para P ou R ou copie os arquivos dessa unidade para outra que tenha permissão P ou R.


FIG 9 - Workspace indicando quais unidades tem privilégios adequados. Preceba que o Pendrive pode apenas reproduzir arquivos, pois tem permissão P.

Para esses casos simples de corrupção passiva no Pro Tools temos aqui algumas soluções, mas para a bem conhecida corrupção ativa infiltrada por aí em todos os segmentos da nossa sociedade soluções ainda parecem estar muito distantes, enquanto isso a velhinha de Taubaté acabou não resistindo.


Tapinha nas costas? Não obrigado. Abraços e até a próxima!

Curso de Pro Tools aula 5 - Playlists

Tente outra vez!
Essa célebre frase do Raul Seixas vem bem a calhar hoje, pois não há nada de errado em errar, especialmente durante uma sessão de gravação em um home studio, pois "herrar é umano" (boa frase para camiseta). Todo mundo erra ou fica insatisfeito com algum take, mesmo que para outros tenha ficado perfeito; e é essa palavrinha que apareceu na sentença acima que quero explorar hoje: take.

A tradução literal de "take" é tomar, então poderíamos chamar cada uma daquelas várias tentativas de gravação como tomadas? Podemos. Passada também poderia ser um termo apropriado? Sim. Seria tentativa a palavra ideal? Pode ser. Que tal take mesmo? Boa, vamos usar o termo em inglês mesmo que está mais enrraizado.

Consideraremos então que um take é uma tentativa de gravação, seja ela bem sucedida ou não. No Pro tools esses takes chama-se oficialmente de clipes, que eram antigamente chamados de regiões. Consideraremos também que um ou vários takes precisam ficar em algum lugar para que sejam tocados, esse lugar no Pro Tools chama-se playlist e normalmente chamamos de pista ou canal.

Muito bem, Pro Tools adentro agora.

Você já aprendeu aqui nesse curso em aulas anteriores que é uma boa ideia renomear apropriadamente as pistas antes de gravar, justamente para que os arquivos gerados (clipes ou takes) recebam o mesmo nome e fiquem mais fácies de serem encontrados e administrados, portanto faça isso.

Precisamos de material, então vamos começar gravando um take.

1) Visualizando a janela de edição crie uma pista de áudio e renomeie-a para algo elucidativo, "Locução" aqui no meu caso.
2) Verifique a entrada de áudio correta, ative o botão de gravação dessa pista, ajuste a pré-amplificação e a monitoração.
3) Coloque a sessão para gravar e grave seu sinal de áudio.
4) Pressione a barra de espaço para parar a gravação.


Fig 1 - Fazendo exatamente os passos acima o meu resultado contendo o criativo "testando, um, dois, três." ficou assim.

Vamos analizar duas coisas na imagem acima:

A) Na clip list (que fica no canto direito da janela de edição) aparece o arquivo "Locução_01". Isso deve-se ao fato de termos renomeado a pista adequadamente.
B) No próprio clipe gravado aparece também o nome "Locução_01". Se no seu não aparece vá ao menu View > Clip e clique em Name.

Agora clique no clipe que você criou na Timeline para selecioná-lo e delete-o. Ele continua na clip view, certo? Pressione Return para voltar a playhead ao começo, ative novamente a gravação da pista e grave outra coisa.

Quando você parar a gravacão perceba que na clip list vai aparecer outro arquivo, dessa vez "Locução_02" aqui para mim, desse modo fica claro que cada take de arquivo que gravamos já fica com um nome fácil de entendermos alí mesmo na clip list. Caso precisemos do arquivo que foi deletado anteriormente basta arrastá-lo de volta para sua pista natal. Esse é o jeito tradicional de usar diferentes takes no Pro Tools, mas há métodos mais interessantes.


Fig 2 - Clip List com 2 arquivos prontos para uso.

Dica: Para colocar o arquivo que está sendo arrastado da clip list no exato local onde foi criado faça assim:
1. Ative o Modo Spot.
2. Arraste o arquivo da clip list para a sua antiga pista.
3. Na janela Spot Dialog que se abre clique no triangulinho apontando para cima bem ao lado do número que aparece na mesma horizontal da opção Original Time Stamp. Esse número pula para a caixa Start e é exatamente o local no qual o arquivo foi gerado. Clique OK.

Ainda na Edit Window mantenha esse segundo clip na Timeline e perceba que ao lado do nome da sua pista tem uma pequena setinha triangular, clique nela. No menu flutuante escolha a opção New. Uma janela sem nome abre e uma sugestão de nome de nova playlist é exibida, no meu caso Locução.01. Aceito-a clicando o botão OK. Isso faz sumir o clip que estava na pista! Calma, ele continua existindo, só que escondido e uma nova playlist virgem aparece, quero dizer, uma pista em branco aparece e esta poderá receber uma ou várias novas gravações, ou ainda melhor dizendo: e esta poderá receber novos takes e consequentemente novas edições.


Fig 3- Playlist virgem. Até você resolver gravar algo nela.

Percebeu que bacana? O Pro Tools tem as pistas oficiais, as quais estamos acostumados a trabalhar, mas também cada uma destas pode ter subpistas. Isso nos dá uma flexibilidade enorme para gravarmos vários takes e editá-los da forma como quisermos, cada um em sua playlist particular e depois temos a chance de escolher qual ficou mais bacana.

Gravo então nessa nova playlist e veja comigo que tipo de arquivo aparece na clip list: "Locução.01_03", ou seja: O terceito take gerado só que desta vez na playlist de nome Locução.01. Não obstante, vou novamente à setinha e escolho New novamente. Agora a sugestão de nova playlist é Locução.02. Aceito-a e gravando nesta percebo que o arquivo criado é do tipo Locução.02_04. Se eu gravar outro arquivo nessa playlist ele será o Locução.02_05. Confira lá na clip list.


Fig 4 - Teste de vista cansada: Ache o arquivo Locução.02_05 na clip list.

Ao clicar na setinha ao lado do nome da pista podemos escolher no menu flutuante qual playlist queremos ver em determinada pista, bastando clicar em seu nome. As demais ficam ocultas.


Fig 5 - Playlists organizadas na parte inferior da janela flutuante.

Agora a parte realmente interessante dessa história.
Crie uma nova pista de áudio. Clique na setinha que jaz ao lado do seu nome e, no menu flutuante que já conhecemos, perceba que tem um novo item: Other Playlists. Clique neste e perceba que todas as playlistas da sessão que não estão em uso em outras pistas podem ser acessadas. Dessa forma dá para criar versões alternativas que tocam simultanteamente em pistas irmãs...Agora você sacou o porquê da opção Duplicate no menu das playlists, certo?

E não ficamos por aqui ainda.

Você pode usar essas funcionalidades todas para criar um take perfeito de forma muito rápida. Muito útil para criar o solo perfeito, por exemplo.

Antes de tudo vá ao menu Preferences e clique na guia Operations. Na caixa Record clique a opção Automatically Create New Playlists When Loop Recording. Adivinha o que isso quer dizer e faz? Isso mesmo, ao gravar em loop cada passada (ou take) cria automaticamente uma nova playlist. Bora fazer isso então:


Fig 6 - Automatically Create New Playlists When Loop Recording - Crie automaticamente novas playlists quando estiver em modo de gravação contínua. Eita preferência comprida...

1) Crie uma pista de gravação. Renomeie-a. Clique com o botão direito sobre o botão de gravação da sessão e escolha a opção Loop.
2) Na janela de edição mude a visualização da pista de Waveform para Playlists clicando na caixa que fica abaixo dos botões de armação para gravação, monitoração, Mute e Solo.
3) Ative o modo Dynamic Transport do menu Option, selecione um trecho na Timeline e clique na régua um pouco antes da seleção feita para colocar alí a playhead. Caso contrário a gravação começa imediatamente e perde-se o começo.
4) Ponha para gravar, toque seu solo várias vezes conforme vai loopando e pare.

Você vai ver que as playlists de cada take se abrem automaticamente abaixo da principal. Nesse cenário tem uma regra: Somente toca o que estiver na Playlist Master (a de cima). A Playlist Master é a que manda, mas você pode ouvir o conteúdo das playlists secundárias (que estão abaixo) simplesmente clicando o botão solo destas e dando play. Agora note que cada playlist  do mundo inferior tem um botão com uma pequena seta virada para cima, esse é o botão de promoção e funciona da seguinte maneira: Selecione um trecho que você gosta em uma playlist secundária e clique seu botão de promoção. Voilá, o trecho pula para a Playlist Master. Faça isso para todos os trechos de qualquer playlist que julgar interessante. Dessa forma você pode montar aquele take perfeito.

Atenção: Para gravar 3 takes em loop, por exemplo, você tem que deixar a gravação completar o terceiro loop, pois somente voltas inteiras são mantidas pelo Pro Tools, a última que ficou pela metade é descartada, mesmo contendo material gravado.


Fig 7 - Playlist editada, que beleza! Para não parecer um solo Frankenstein selecione tudo e use a ferramenta Consolidade Clip do menu Edit.

Ficamos por aqui? Desta vez sim, mas não se esqueça: se errar, você é humano, então tente outra vez! Só que desta vez, do jeito mais legal.


Abração e até a próxima!

Curso de Pro Tools aula 4 - Mandadas Auxiliares

Mande tudo que merece para aquele lugar!
Já falei isso antes e repito: Mande, em caráter definitivo, aquele pedreiro enrrolão para o mundo das almas amaldiçoadas, o fabricante de tintas de parede vagabundas que soltam ao primeiro sinal de chuva para o espaço além plutão, o árbitro que apitou o pênalti cometido pelo jogador do seu time para a quarta dimensão e em regime ad eternum (mesmo que ele esteja certo!) e aquelas cartinhas contendo números pequeninos que chegam em casa todo começo do mês deixando-nos mais pobres, todas de volta aos seus próprios remetentes.

Infelizmente, pelo Pro Tools não conseguimos fazer isso, pois o software DAW rei permite apenas o tráfego de áudio. Pena. Mas já que mencionei o fato, vamos explorá-lo, abstraindo que o pedreiro virá na segunda-feira, que a tinta embolotada continua parcialmente na parede, que o árbitro está sempre equivocado em situações que desfavorecem nosso time e que as contas nunca pararão de chegar em enormes quantidades e em valores sempre superiores ao que recebemos em sina eterna ou até o explodir do universo.

No Pro Tools o sinal entra e sai. Óbvio isso, mas podemos escolher mandar o sinal que entra ou que sai passar antes por outro lugar. Isso pode ser feito via manda auxiliar ou subgrupo; vamos pensar juntos em quais situações isso faz sentido.

Imagine uma sessão contendo várias pistas de bateria além de outros instrumentos concorrentes. Se você precisar baixar o sinal de todos as pistas da bateria proporcionalmente, mas manter o sinal da guitarra como está, por exemplo, é uma boa ideia trabalhar com subgrupos, funciona assim: O sinal das pistas da bateria vão para uma outra pista e depois para o canal master, assim fica fácil abaixar o som da bateria sem alterar o som da guitarra. Daqui a pouco a gente vê como faz isso.

Imagine agora que há três pistas em uma sessão sessão, duas de voz e uma de piano, mas só as vozes precisam de reverb. Insertamos então um plug-in de reverb em cada pista de voz? Óbvio que não! Criamos um pista extra, inserimos um reverb nesta e fazemos uma mandada auxiliar das pistas que precisam de reverb para o pista onde está o reverb, economizando processamento e dando margem para quem mais precisa de reverb no futuro. Daqui a pouco a gente vê como faz isso também.

Imagine que você precisa de uma mixagem de fone de ouvido para o vocalista que quer mais voz e nada de guitarra e outra para o guitarrista que quer mais guitarra e nada de teclado. Típico. Mesma coisa: Manda auxiliar. Agora adivinha? Daqui a pouco a gente vê como faz isso.

Outro pensamento: Imagina que você tem um subwoofer conectado na saída 3 da sua interface de áudio. Como controlar o volume dele sem entrar embaixo da mesa? Fazendo uma mandada auxiliar de todas as pistas para a saída 3 e usando um Master Fader no Pro Tools para controlar o seu volume.

Pronto, vamos ver agora essas coisas todas começando pela última, assim já entendemos o conceito de Master Fader único do Pro Tools.

Primeiramente, não precisamos obrigatoriamente criar um Master Fader em todas as sessões de Pro Tools, mas é uma boa prática, por vários motivos.

O primeiro é que todas as pistas somadas, quando roteadas para as mesmas saídas, como as tradicionais 1 e 2, por exemplo, acabam aumentando a intensidade de sinal que sai por estas saídas e, se não tivermos um Master Fader representando essas saídas pode ser que estejamos produzindo uma mixagem com sinal clipado, ceifado, achatado, com a horrenda distorção digital. Outro fato é que se quisermos abaixar o volume de todos as pistas que seguem para as saídas 1 e 2 proporcionalemente fica muito mais fácil e seguro com um Master Fader, em vez de criar um grupo de mixagem e abaixar todos os faders proporcionalmente que iriam comer bits por utilizar menos resolução no mix bus, depois explico isso em uma outra oportunidade.

Pronto, agora você sabe porque o Master Fader não tem Input, apenas Output. Isso mesmo, ele representa apenas as saídas físicas, portanto se você tem algo saindo na saída 3 de sua interface, como um subwoofer, por exemplo, crie um Master Fader, defina a saída deste como sendo a saída 3 e pronto. Pronto nada, tem que rotear todos os sinais da sessão também para a saída 3 e só assim você terá um fader de volume dedicado para controlar os subgraves, assim ó:

Em uma sessão empírica criada por mim, que só tem pistas de áudio vou ao menu track e escolho New. Em seguida digito o número 1 na caixa Create, que indica a quantidade, escolho o formato estéreo o o tipo Master Fader. Sem delongas clico o botão OK. Vai ficar algo parecido com a figura abaixo:


Fig 1 - Nessa figura o Master Fader controla as saídas 1 e 2, portanto para abaixar o volume geral da sessão use-o e mantenha o fader da pista o mais alto possível, antes de clipar né!

Agora vá novamente ao menu Track, escolha a opção new e preencha com os seguintes dados: 1, Mono, Master Fader. No Master Fader  novo defina a saída como sendo a saída 3. Vai ficar algo assim:


Fig 2 - Fader Master para a saída 3, mas sem som ainda.

Perceba que agora precisamos mandar o sinal de todos os canais para a saída 3 também, que é onde está o subwoofer. Existem várias maneiras de fazer isso, mas a que eu mais gosto é assim:

Segure a tecla Control (Mac OS X) ou Start (Windows) no teclado, clique na caixa de saída de uma pista e selecione o item Output > Out 3 (mono). Perceba agora que o nome presetne no seletor de saída da pista ganhou um +. Isso significa que o sinal está indo para as saídas 1 e 2 e também para outro lugar ao mesmo tempo e em mesma intensidade, nesse caso, para a saída 3. Repouse o mouse sobre o seletor para ver a caixa de diálogo explicando isso.


Fig 3 - Uma pista com o sinal indo para as saídas 1, 2 e 3 e a caixa de diálogo explicando isso direitinho. Perceba o ícone + no seletor de saída.

Faça isso em todas as saídas e dê Play, agora o som sai nos monitores e no subwoofer. Aproveite e clique o nome do segundo fader e digite Sub.


Fig 4 - Controle de volume para os monitores e para o Sub de dentro do Pro Tools. Ótimo para quem tem a tecla Masters na superfície de controle.

Divertido né? Agora vamos fazer um subgrupo, mas antes vou explicar porque ele tem que ser do tipo auxiliar.

Infelizmente no Pro Tools a quantidade de pistas de áudio que podem ser tocadas simultaneamente não é infinita como na maioria dos software e não me pergunte o porquê. Esse número é finito e a quantidade depende da versão de Pro Tools. Sendo assim, se utilizarmos uma pista de áudio como subgrupo estaríamos roubando uma voz ativa e talvez falte na hora de gravar aquela pista extra de guitarra. Mas, para o bem geral da nação, as pistas do tipo auxiliar não ocupam vozes ativas, então, por esse motivo é que vamos utilizar pistas auxiliares para acomodar subgrupos.

Vá ao menu Track > New e popule a caixa flutuante com os seguintes detalhes: 1, Stereo, Aux Input. Uma pista auxiliar aparece na janela de mixagem.

Agora, no seletor de entrada da pista auxiliar (onde aparece no input) eu vou escolher a opção Bus > Bus 1-2. Pronto. Esse é o barramento 1 e 2 e que nada tem a ver com as saídas 1 e 2, mas sim com o que está definido no setup I/O. Já falei sobre isso, revise! Agora vou definir a saída da pista auxiliar para as saídas 1-2 e também para o sub, utilizando a técnica que expliquei acima alguns minutos atrás. Aproveito e mudo o nome da pista para Synth, pois sou metade gringo.

Na minha sessão até aqui tenho um piano microfonado em estéreo na primeira pista, um Moog Sub Phatty passando por um Lexicon MPX 1 transformando o sinal de mono em estéreo, um sintetizador digital Roland SH-201 estéreo ligado direto e um outro sintetizador simplinho, mas muito simpático da Korg, o Volca Keys, passando por um pedal TC Hall of Fame que transforma seu sinal de mono em estéreo, porém antes de entrar no pedal passa por um casador de impedência Radial JCR Studio Reamper e depois do pedal por uma direct box Whirlwind HotBox. Cada um em entradas independentes em minha MOTU. Todas as pistas do Pro Tools estão indo para as saídas 1 e 2 e também para o sub, mas agora quero mandar os sintetizadores para um subgrupo, esse novo que criei instantes atrás. Clico então no seletor de saída de cada um destes e escolho a opção Bus > Bus 1-2 estéreo, que coincidentemente é a pista auxiliar que acabei de criei segundos atrás, se você foi rápido na leitura.


Fig 5 - Piano indo para o Master Fader 1-2 e para o subwoofer. Sintetizadores indo para o subgrupo (auxiliar BUS 1-2) e dalí para o Master Fader 1-2 e para o subwoofer.

Estude mutio bem essa sequência de imagens acima e veja que isso cobre muita coisa que fazemos em estúdio, mas faltam duas técnicas essenciais para aprender ainda hoje, vamos lá:

Agora eu decidi que preciso colocar um plug-in de reverb para atender ao Piano, mas pode ser que no futuro eu precise que outros instrumentos utilizem esse mesmo plug-in, então em vez de insertar ele direto na pista do piano eu vou usar uma técnica de mandada auxiliar; para fazer o mesmo siga os procedimentos abaixo:

Vá ao bom e velho menu Track (a essa altura você deveria estar utilizando o atalho Shift+Control+N (OSX) ou Shift+Start+N (Weirdows)). Escolha 1, Stereo e Aux Input. No seletor de entrada da pista recém criada escolha a opção Bus > Bus 3-4 (Stereo). Clique seu nome e digite Reverb. Em um slot de insert clique e escolha Multichannel Plug-in > Reverb > Air Reverb. A janela do plug-in abre. Veja que o botão MIX está totalmente à direita evidenciando que o plug-in está com um preset certo. Aproveitei e mande o sinal dessa pista para o sub também (você sabe como).

Agora na pista do Piano, no primeiro slot de Send (mandada em inglês), selecione a opção Bus > Bus 3-4 (Stereo). OBS: Não confunda com um slot de insert. Um fader aparece. Esse fader vai dosar a quantidade de sinal que irá ser remetido ao Bus 3-4, exatamente onde está o plug-in de reverb, sem alterar o sinal que está sendo enviado às saídas 1 e 2 e também ao sub. É tipo um cabo Y. Aumente o fader, veja e ouça o resultado.


Fig 6 - Pista de piano com sinal indo para as saídas 1 e 2, ao sub e um pouco indo ao reverb que está insertado na pista auxiliar, que por sua vez segue às saídas 1 e 2 e também ao Sub.

Muito bem! Agora uma dica elementar. Quando solamos uma pista para ouví-la sem interferência das demais queremos ouvir o som dela junto com os efeitos que estão processando-a, nesse caso então segure a tecla Command (OSX) ou CTRL (Ruíndows) e clique o botão de solo da pista onde está o Reverb, ele fica esmaecido e não será afetado se algum outro botão de solo for apertado, deixando passar o sinal inalterado, isso chama-se solo safe. Volte e reveja a figura 6.

Muito bem, técnica derradeira agora: Via de fone com mixagem independente.

Obviamente você pode e deve usar a saída de fone de sua interface de áudio, assim você já tem uma saída mixada da sessão para quem quiser, mas sempre vai ter alguém que vai querer uma mixagem diferente, sem alguma coisa e com outra mais alta, geralmetne essa coisa mais alta é ele mesmo. Para tal vamos utilizar essa última técnica que você viu acima com alguns twists. Siga...

Crie um novo canal auxiliar e defina a saída dele como sendo um par de saídas físicas que ainda não estão em uso, aqui no meu caso as saídas 5 e 6. Ligue estas em um aplificador de fone e neste o fone de ouvido que vai receber a mixagem diferenciada. Coloque o seletor de entrada dessa pista auxiliar como sendo um Bus também sem uso, coincidentemente escolhi o 5 e 6, mas não tem nada em comum com as saídas, a não ser o número. Tem gente que gosta de fazer via de fone em mono e até tem explicação para isso, mas eu gosto em estéreo porque sou tecladista, então se você quiser usar mono, fique à vontade e faça diferente.


Agora no segundo slot de mandada auxiliar de cada pista da sessão defina outra mandada para esse Bus novo, o 5 e 6. Agora, dependendo da versão de Pro Tools que você tem, vá ao menu View, escolha a opção Expanded Sends e escolha Sends B, assim fica um pequeno fader no próprio channel strip de cada pista da sessão que irá facilitar a mixagem da via de fone, caso você não tenha uma superfície de controle com moving faders e botão Flip, como a S3, por exemplo. Veja abaixo como ficou.


Fig 7 - Tudo que vimos anteriormente e mais uma via de fone especial com mixagem única.

É isso! Mandadas auxiliares e subgrupos. Fáceis de entender e de executar. Agora o difícil é ter desprendimento para mandar coisas e aqueles que realmente merecem para aquele lugar fatídico. Respire fundo! Conte devagar: - 1, 2, 3... Pratique seus pranayamas e volte ao Pro Tools que dá mais jogo, excetuando quando aquele juiz equivocado não quer. Que vá!


Abração e até a próxima!