Plug-ins UAD-2 e Pro Tools 11. Demorou, mas rolou.


Aquele provérbio infinitamente adaptado sobre alguma coisa que tarda, mas não falha é verídico em algumas de suas variantes.
Saldo negativo é certeza.
Precisar de óculos para perto também. Multifocais, no meu caso.
Falha na bateria do carro na hora de ir para o trabalho é certeira.
Carteira vazia, amanhã.
O TEC Award de 2013 para o Pro Tools 11.
Agora, a justiça desse país, que vigora ocasionalmente como opção nesse provérbio eu já não tenho muita animação de chancelar.
Ajuda de Deus é certa! Todos esperam...

Cá na Terra, em nosso mundo obsessivo-tecnológico-musical-nerd, sabemos que recentemente a Universal Audio lançou a sua plataforma de plug-ins no novo protocolo AAX de 64 Bits, compatibilizando-os com o igualmente novo Pro Tools 11. Isso significa que, a partir de então, os usuários de produtos Universal Audio, como a Apollo, Apollo 16 e a caçulinha Apollo Twin, além dos DSPs disponíveis em separado das interfaces, podem instalar tranquilamente o Pro Tools 11 em suas máquinas para trabalhar ou se divertirem com seus plug-ins UAD-2; no Mac.

Eu mesmo já tive que usar o Pro Tools 10 para fazer algumas coisas (nada relacionado à pirataria, diga-se de passagem) e o 11 para outras, para não fazer um bounce online de 2 horas, por exemplo, mas algumas coisas me prendiam ao Pro Tools 10, não posso negar. Enfim, com a saída desse novo protocolo, minha estação pode tranquilamente migrar para o onze e o dez ficou definitivamente no passado, enraizado em detalhes dentro de um livro intitulado "Como Fazer Música com o Pro Tools 2a. Edição", aliás, falando disso, meu livro é perfeitamente funcional para o Pro Tools 11, pois o workflow estilo Pro Tools não mudou quase nada nessas últimas edições e as mudanças drásticas ficaram a cargo da arquitetura de processamento apenas. Alguns outros detalhes importantes abordo no capítulo especial sobre o Pro Tools 11, portanto você está coberto desde o Pro Tools 8 até o atual e, muito provavelmente em algum dos próximos.

A Universal Audio tecnicamente chamou seu update para o protocolo AAX de 64 Bits de versão 7.4.1, mas infelizmente aquele provérbio adaptado ainda não se cumpriu em sua plenitude, pois apenas os usuários do sistema Apple foram contemplados.  Pelo menos o update é grátis. Só faltava não ser. O pessoal do Windows ainda precisa de mais paciência, coisa que estão acostumados, se me permitem a colocação jocosa.

Uma coisa interessante é a seguinte: Se o protocolo dos plug-ins AAX de 64Bits da UA funciona agora no PT, significa que dá para fazer o Bounce offline com eles. AHA! Mas há um detalhe: será que o processamento direcionado aos DSPs da UA quando revertidos ao processamento offline não fica mais lento do que o próprio Bounce online? Descobri a resposta para essa pergunta e desvendo-a aqui nas próximas linhas, mas antes disso um pouco de background pseudo-técnico.

Os plug-ins da plataforma UAD-2 rodam no seu DSP proprietário, isso significa que o seu computador fica livre para fazer outras coisas. Todavia, quando é chegada a hora do Bounce acontecer, se for do tipo Online, o DSP continua processando o sinal como se estivéssemos gravando ou mixando,  mas ao gravar o Bounce no modelo Offline o que acontece é o seguinte: O processamento não migra para a máquina e permanece no DSP, que, por sua vez e até o presente momento, é muito menos potente do que as CPUs que temos dentro dos computadores, então a velocidade de processamento do Bounce Offline diminui e, em alguns casos, dependendo da quantidade de plug-ins ou da sua complexidade, acaba atrasando tanto o Bounce que este fica mais lento do que o modo Online. Há um teste fácil para você sacar o quanto o DSP da Universal está segurando o processamento:

Abra o Painel da UAD e uma sessão pesada repleta de reverbs e outras coisas massudas, na falta faça uma. Mande fazer um Bounce Offline e fique de olho no medidor de evolução. No meio do Bounce, desclique o botão de ativação da UAD no painel de controle, inativando o processamento dos plug-ins UAD. Note que o Bounce começa a ir mais rápido. Isso mostra como o DSP está segurando o processamento, mas não é nada científico. Isso é apenas uma amostra de como vivemos no limiar tecnológico que ainda não pode ser ultrapassado devido à tecnologia vigente ou custo, mas se você não precisa renderizar áudio de longa duração com plug-ins UAD isso não vai ser um drama.


FIGURA 1
O medidor de tempo do Bounce Offline ganha vida depois que os plug-ins UAD-2 foram desligados.

Fora isso, todos os testes não científicos que realizei tentando abarrotar o processamento do DSP correram conforme esperado. Nesse mundo de DSPs, os da Avid inclusive, há um limite bem definido por um marcador na janela de controle. Tente chegar perto e os problemas começam a acontecer. Tente passar e o trabalho fica inviável. Daí temos que recorrer ao pseudo-Freeze via "Bounce To Track" e outras técnicas salvadoras.

Mesmo assim devo admitir que sou fã da plataforma UAD. Seus plug-ins têm sonoridade incrível e sempre rodaram muito bem, inclusive no Pro Tools 11 e disso não podemos contra-argumentar.

Com essa interface nova da UA, a Twin, surge também uma nova tecnologia, que batizaram por lá de "Unison. Esta permite que você aplique a resposta sonora de diferentes pré-amplificadores ao sinal sendo pré-amplificado, logo após o estágio analógico, processo este também calculado pelo DSP interno. Isso significa que você pode usar o pré limpo da Twin, mas também aplicar uma resposta ao sinal imediatamente após e ouvir seu som por um Neve, por um API e por outros modelos fantásticos que ainda não existem nessa tecnologia, que virão oportunamente, basta esperar. Já existe um, o channel strip da 610 que acompanha o novo pacote de plug-ins da UAD-2 para a Twin, Adoro o som do 610 real e costumo usar um destes em carne e osso eventualmente, ou melhor, em válvulas e capacitores, com um M 149 para gravar locução, mas ainda não tive oportunidade de comparar o real com o virtual, pois acabou de ser lançado e ainda não chegou por aqui. Na maioria da vezes uso um John Hardy mesmo, meu preferido, quem sabe um dia sua alma virtual apareça na plataforma Unison... Essa tecnologia inclusive "imita" a variação de impedância que os diferentes microfones geram no circuito de pré-amplificação, portanto a cada microfone diferente conectado, um som diferente irá sair. Parece ser muito interessante.


FIGURA 2
A Apollo Twin é pura música para meus ouvidos. Olha que coisa mais linda...

Aliás, essa luta entre o virtual e o real é meio complicada, acho melhor não entrar em detalhes. É o mesmo que discutir a relação válvula e transístor, marido  e mulher, vinil e CD. Voltando: eu adoro fazer testes de limite. Tentar acelerar o Sanderinho mil com o ar condicionado ligado para passar um caminhão na estrada ou entupir uma sessão de plug-ins UAD para ver até onde ela vai. Veja abaixo a minha tabela de comparação entre duas situações com alguns números hilários.

TABELA

Música com 24 pistas e 3:35 de duração
DSP 
PGM
MEM
FWB
Bounce Offline
Obs
84%
Muitos plug-ins
UAD-2
78%
16%
65%
0.5x
Mais lento que o Bounce Online
21%
Poucos Plug-ins UAD-2
34%
4%
65%
1.3x
Um pouco mais rápido que o Bounce Online


FIGURA 3
O Bounce Offline mais lento que o Online

A conclusão é que não importa se a plataforma UAD-2 vai demorar alguns instantes a mais para processar a sessão no modo Offline, pois funcionou redonda e não obtive um problema sequer, dado à incrível estabilidade do Pro Tools 11 e o bom trabalho do pessoal da Universal Audio. Agora, o som dos plug-ins é que é o verdadeiro negócio. Posso até dizer sem medo que a Universal Audio realmente está chegando, se já não chegou, à mesma qualidade dos equipamentos analógico, tornando indistinguível o sinal processado por um equipamento real ou virtual, mas insisto, não vou entrar nessa conversa, quem sabe um dia a gente se encontra e a gente pode conversar mais sobre isso... Não tem preço poder colocar um Shadow Hills no caminho ou então um 1073 na voz sem ter que vender um rim e um pulmão no mercado negro. Enfim, falei, falei, falei e de Pro Tools, propriamente dito, quase nada. Pelo menos confesso. Mas, para não fica chato então, dou uma dica:

No Pro Tools 11 agora é possível arquivar a sua pasta de preferências em um local igualmente pessoal, para poder então acessá-la de todas as suas estações. Com isso em mente, fica claro que o melhor local para armazenar sua pasta de preferências é em algum serviço de cloud, tipo o dropbox, mas nada impede que você use um pendrive ou um cartão SD e leve-o consigo.

Vá ao menu Setup, escolha a opção Preferences, clique na aba Operation e no campo User Library clique no botão Change... Escolha o local que você quiser e use todas as suas estações do mesmo jeito. Garanto que você vai gostar.


FIGURA 4
As preferências do usuário do Pro Tools (eu) direcionadas ao Dropbox.

PS: Não se esqueça de encomendar meu livro novo!

*O desenho da Justiça é de um dos meus cartunistas preferidos, o Angeli.

Como resolver o Reason que não funciona com o Pro Tools


1. O Reason não está aparecendo como instrumento no seu Pro Tools 10 no Windows?
Simples de resolver: Muito provavelmente você está com a versão 64Bits do Reason instalada e essa o Pro Tools não conseguirá enxergar. Instale a versão de 32Bits. Caso ainda persista o erro, procure o arquivo Rewire.dll que deve estar em C:/Program Files(x86)/Common Files/Propellerheads/Rewire e copie-o para a pasta C:/Windows/sysWOW64, reinicie. Resolvido.


2. O Reason não funciona em rewire no Pro Tools 11 no mac os X? No menu do Finder clique em Go > Computer. Vá em Applications, clique com o botão direito sobre o ícone do Pro Tools e escolha a opção Show Package contents.  Clique em Contents > Plugins > System Plug-ins e clique sobre o arquivo DigiRewire.aaxplugin para selecioná-lo. Segure a Tecla Command e tecle a letra C (para copiar o arquivo). Vá novamente no menu do Finder e clique em Go > Computer.  Escolha Library e depois Application Support > Avid > Audio > Plug-ins. Tecle Command V para colar o arquivo DigiRewire.aaxplugin nesta pasta. Verifique.

Workshop Genelec

Semana passada participei de um treinamento internacional sobre monitores de referência com o especialista de produtos da Genelec, pessoa bem esclarecida tecnicamente e de ar amigável. Você deve saber sobre quais monitores estou falando... Aqueles arredondados com um pezinho de borracha...Certeza, pis provavelmente esta é uma das marcas de monitores de referência mais expressiva dos últimos anos.

A Genelec vem plantando a sua semente no mundo dos monitores de referência e se tornou praticamente um standard, já que as NS-10s começaram a desaparecer e as Genelec apareceram em seu lugar, por que será? Mas o que mais me impressionou no treinamento não foi a resposta plana de frequências, nem o SPL a um metro da 8010, nem o corpo ecológico da série M e nem o sistema de calibragem (SAM) da série digital que tem o dígito 2 indicando essa qualidade, como a 6240. Minto. fiquei impressionado sim, mas o que mais me chamou a atenção mesmo foi uma palavrinha que me veio à cabeça no meio do treinamento e que é muito rara em nosso país, confiança.

O que a Genelec vende é confiança. Confiança que o seu investimento (relativamente alto) vai durar pelo menos uns 10 anos, 20, talvez 30. Que o som dela vai ser o mesmo no dia que você comprou e no dia anterior ao dia que ela parou de funcionar depois de alguns muitos anos e que ela vai ter aquilo que você realmente está procurando: som verossímil. Desculpe se está parecendo papo de vendedor ou técnico comercial, mas não é minha intenção. Quero apenas expressar meus pensamentos sinceros.

 A icônica 8030 da Genelec agora está na versão c, ou seja: terceira geração e acaba de ganhar o novo recurso ISS (Intelligent Signal Sensing) que desliga o monitor após um certo período quando não há sinal de áudio presente, consumindo algo em torno de 0,5W nesse estado. Esse monitor não é de ontem. Ele está no mercado há muito tempo e tem garantido escuta crítica e privilegiada a muitos ouvidos e praticamente nada mudou em seu design. Só recursos é que foram adicionados.

Outra coisa que não me impressionou também foi as incríveis fronteiras de 26Hz e 40kHz da 8260 (ok, estou mentindo de novo, fiquei impressionado sim), mas eu fiquei mesmo muito impressionado com o controle de qualidade da Genelec.

Cada monitor é testado individualmente. Todos. Ponto.
Os amplificadores são calibrados individualmente no andar superior da fábrica até o ponto onde ficam idênticos. Em seguida o monitor é montado no andar de baixo, mas como a relação amplificador e transdutor pode criar algumas mudanças no som, em parte relacionada à impedância variável desse conjunto, mesmo que mínimas, o monitor montado entra em uma estação individual de trabalho com uma câmara anecoica e é testado novamente. Nesta o aplicativo MLSSA  é utilizado por um técnico que alinha a resposta do monitor através de trimmers, equalizando-os conforme o estrito padrão da fábrica, muito estrito. Dessa forma qualquer par de caixas é um par casado. Todos os monitores são assim.  E essa é só a série 8000, a primeira da série profissional. Imagine o resto, onde moram os nearfiels e farfields de várias dezenas de milhares de dólares por par...

Fora este há inúmeros outros testes, como a caixa de metacrilato onde os monitores sofrem com uma descarga elétrica de 3000 Volts, para assegurar que o projeto não fará nenhum cliente sofrer em seu estúdio, mas o controle de qualidade que eu mais gostei foi esse:

O pessoal coloca o monitor em uma estação específica, daí eles conectam uma mangueira no duto de saída de ar dos monitores e injetam ar. Um aplicativo de computador então faz a varredura de movimento de ar em torno da caixa para ver se há algum vazamento pelo LED, pelos conectores, botão, encaixe do corpo... Se existir, a caixa volta para a linha de produção, se não existir ela passa ao próximo teste.

Tem mais ainda, mas não quero fazer uma tese de doutorado sobre controle de qualidade. Agora a pergunta: você sabe quais são os testes dos outros monitores que estão no mercado? Provavelmente um monitor de baixo custo tem seu preço atrelado em parte ao quanto de tempo não se gasta com ele para saber se ele está todo certo ou com mão de obra duvidosa. Neste caso pense melhor quanto vale seu dinheiro e quanto de honestidade há naquilo que você compra.

Monitores Genelec são totalmente feitos na Finlândia, à mão. As placas com os componentes eletrônicos são montadas por braços robóticos em caixas seladas, mas as peças maiores e mais delicadas são soldadas à mão por humanos com uma criteriosa noção de qualidade e destreza, normalmente mulheres.

Só essas coisas já são uma boa característica, mas provavelmente um dos fatores que faz a Genelec se destacar mais que as outras fabricantes é a sua postura verde. Até o logo é verde! Os monitores são recicláveis, não há impacto ambiental, controle sobre a pegada de carbono e isso transparece no novo material do corpo da série M e até nas caixas de papelão dos produtos.

Já viu a fábrica da Genelec no Google Earth? Eu moraria lá, em volta daqueles bosques de coníferas, andaria de barco naquele lago... Ok, prefiro uma praia. Aquele lugar deve ser frio demais no inverno e não sei se tem muita coisa para fazer ao ar livre em Iisalmi durante o inverno...pelo menos para brasileiros...

E o som? Obviamente muita gente vai dizer que o som Genelec é "mais pra frente", mais agudo, estridente, que são muito cirúrgicos e que não dá para ouvir música neles, só mixar, mas eu gosto. Tá certo que algumas vezes eu escuto um disco que não ouvia há tempos e penso: -Nossa, o cara errou nesse equalizador, ou: -Essa voz tá meio baixa.


Para mim o som é maravilhoso. Firme e detalhado, bem apropriado para minha laia virginiana. Isso sem falar da reprodução da espacialidade, que é incrível e difícil de escutar em outros monitores, mas confesso que tem uns onde todas essas características também estão presentes sim, mas são mínimos. Aliás, falando disso, existem também os Dynaudio que conheço bem, os Adams, e é claro, os Neumann (Tecnologia Klein + Hummel) que são excelentes, maravilhosos, doces, mas o som que eu gosto mesmo, como cliente, vem de uma Genelec 8030. Perfeitas para meus ouvidos.

Partitura no Pro Tools 11: Exatamente para quê?

A DAW que o Mozart usava era ele mesmo.

As ferramentas que ele tinha à disposição em seu home studio eram seu próprio computador orgânico craniano (algo próximo de um Mac Pro Super Ultra Mega Power Googol Core iX com 512YB de RAM)*, suas mãos, um piano, papel e caneta (talvez uma pena afiada de um ganso que provavelmente virou travesseiro, ensopado com batatas ou bife de foie gras para algum magnata da corte de Viena) todos juntos numa espécie de MIDI químico. Talvez um Rewire sináptico.

* (1 Googol = 10100 e 1 YB = YottaByte = 1024 Bytes)

Bobagens à parte, devia ser complicado para os outros músicos (de classificação normal) na mesma época produzir e registrar música rabiscando notas no pentagrama, molhando a pena no nankin frequentemente, para depois ler e transdutar (caso exista este verbo) o que antes era informação na forma de energia eletromagnética oriunda da reflexão da escrita presente no papel na energia mecânica gerada pelas mãos pressionando teclas do piano ou percutindo alguma corda ou, quem sabe, através da contração dos pulmões, culminando na promoção do movimento dos fluxos da matéria que compõe o ar para enfim ter-se música.

Circunlóquios e outras bobagens à parte, é fato que a escrita musical tradicional foi durante muito tempo o meio mais moderno de produção musical e a única forma de registro. O Mozart provavelmente fazia isso de forma bem natural e prática: abria um pentagrama com uma armadura de clave e em alguns instantes surgia uma sequência de preciosidades musicais. Reza a lenda que ele nem rasurava o papel, simplesmente ia saindo a música pronta de dentro de sua cabeça através de sua mão, parte por parte (canal por canal), mas eu não estava lá para conferir.

Partituras para a maioria de nós, músicos empíricos acostumados com a tecnologia que nos deixa cada dia mais sedentários e barrigudos, sempre teve um ar de mistério com alto grau de complexidade. Quem aí desse clã que nunca passou aperto ao contar linhas e espaços para descobrir que um mi pulava para um sol que atire a primeira pedra! É fato que para muitos músicos o uso de partitura já não faz parte do métier. Depois que inventaram o Piano Roll MIDI tudo ficou mais fácil, principalmente para os não iniciados em notação musical.

É certo que existem aqueles que dependem de partitura, mas, muito provavelmente, não vão usar o Pro Tools para fazê-las. Certamente é um pessoal acostumado com o programa de edição de partituras mais pirateado da história, o Encore, rodando no Windows 2000 em um PC de monitor amarelado ou com os modernos Finale e Sibelius. Este último, também da Avid, é considerado por muitos power users de partitura como sendo o mais amistoso e poderoso de todos e eu concordo.

Interessantemente, no "making of" da produção da trilha sonora do Avatar, que pode ser assistido do canal do YouTube da Avid, os compositores aparecem usando o Sibelius em conjunto com o Pro Tools, mas também usam MIDI, instrumentos virtuais e também o modelo tradicional de composição da época do Mozart: tocando piano e escrevendo na pauta. Isso ilustra um fato importante: que em determinados casos é necessário fazer a produção musical em conjunto com recursos específicos para áudio e vídeo (como nesse caso) recorrendo ao poder da tecnologia atual para ter-se resultados sonoros verossímeis através de instrumentos virtuais, pistas de áudio e sincronismo apurado de música com imagens em movimento, para produzir-se ao final um material que possa ser impresso (ou individualizado em diferentes formatos) para que músicos de carne e osso possam tocar ao vivo a trilha sonora que irá substituir os instrumentos virtuais usados na pré-produção. Neste aspecto, e entre tantos outros, a integração Sibelius e Pro Tools sai na frente de qualquer outra combinação, assim como papel e caneta.

Há várias formas de usar o Sibelius em conjunto com o Pro Tools: É possível criar a música no Sibelius, depois exportar cada instrumento na forma de pistas MIDI e em seguida importá-las no Pro Tools; é possível produzir pistas MIDI no Pro Tools e depois exportá-las todas com um clique para o Sibelius, para em seguida adicionar detalhes intricados na partitura. Também é possível abrir ambos os aplicativos ao mesmo tempo e sincronizá-los via Rewire. Independentemente da forma na qual se trabalha o resultado sempre será uma partitura de alta qualidade e a reprodução sonora desta também irá ser de alta qualidade.

Como o Sibelius não é o meu foco não vou entrar em maiores detalhes aqui de como usá-lo, mas para aqueles que não tem ainda o Sibelius e querem produzir uma partitura simples para dar para seus alunos de piano, de baixo ou de guitarra na aula da quarta-feira depois da janta o Pro tools é um excelente candidato, segue abaixo algumas orientações:

A primeira coisa a considerar é que para termos uma partitura precisamos ter informação MIDI no Pro Tools, uma pista MIDI ao menos. Podemos escrever notas diretamente na partitura em um dos dois modos de visualização, vou então criar uma pista de instrumento, insertar um plug-in de piano (Mini Grand) e abrir o editor MIDI da janela Edit.


Figura 1 - Uma pista MIDI aberta na área MIDI Editor da Edit Window.

A parte de baixo dessa janela da figura acima é a MIDI Editor, que é acessível do canto inferior esquerdo da Edit Window. É nessa que normalmente editamos MIDI desde a versão 8, entretanto é possível alternar a visualização da informação MIDI de Piano Roll para notação musical, para isto, basta clicar no botão Notation Display Enable que tem o desenho de duas notas musicais (duas semicolcheias) que fica logo ao lado direito dos botões Solo e Mute; perceba também que o Pro Tools por default criou uma pauta de piano e já colocou as duas claves, a de fa e a de sol, mas podemos mudar isso clicando duas vezes sobre uma das claves para abrir a janela Notation Display Track Settings e mudar o campo Clef para outra opção.

Nessa mesma janela flutuante mencionada acima vou manter a tonalidade em do, pois o exercício é em ré dórico. Note que se você mudar o campo Display Transposition você não estará mudando a tonalidade da sessão e sim fazendo uma transposição na tela apenas e as armaduras podem não corresponder à tonalidade que você quer. Se você quiser realmente mudar a tonalidade é necessário posicionar o cursor no início da sessão e abrir a régua Key (Tonalidade). Clique então no ícone + para a janela Key Change aparecer, escolha outra tonalidade.


Figura 2 - A janela Notation Display Track Settings

Para mudar a fórmula de compasso clique sobre ela na partitura e modifique os parâmetros na janela Meter Change que se abre.

Tudo certo, vou agora popular a partitura com notas, mas primeiro clico para definir que tipo de nota vou escrever. Faço isso do menu flutuante do campo MIDI Note Duration (a nota musical em verde que fica ao lado do nome da pista e de sua velocidade (MIDI Note Velocity)) neste caso escolho colcheia (1/8 note). Como quero escrever tercinas clico também na opção Triplet, desse mesmo menu, um pequeno três aparece no canto da nota. No campo Grid escolho também o encaixe em tercinas, de modo similar.


Figura 3 - A caixa de seleção do tipo de nota a ser escrita

Seleciono a ferramenta lápis na própria janela de edição de partitura (não no topo do Pro Tools) e começo a escrever notas clicando na partitura. É possível mover o cursor para o lado para encaixar as notas em outros tempos, criando pausas, mas não foi a minha intenção aqui. Para escrever os sustenidos e bemóis é mais fácil clicar e segurar apertado o botão do mouse e ir arrastando a nota para baixo ou para cima até achá-la, depois soltar o botão.


Figura 4 - Notas.

Na verdade a maioria vai querer armar a pista para gravação e tocar em um teclado MIDI, muito mais rápido e prático. Só uma coisa pode impedir o input manual de notas, a falta de paciência.

Dica: Para apagar notas segure a tecla Option, o lápis vira ao contrário para você clicar com a borracha, mas é mais fácil clicar duas vezes na nota para apagá-la.

Que tal colocar um título, cifras e mais detalhes?

Vou abrir então a janela Score Editor para dar o acabamento. Visito o menu Window e escolho a opção Score Editor. Ahá, já temos título! Clico sobre ele duas vezes, a janela Score Setup abre. No campo Title digito algo melhor que "Title", o meu vai ser: Improviso circular de quartais em tercas menores, sem o ç mesmo, pois o Pro Tools não permite. Aproveito e coloco meu nome no campo Composer desse lindo exemplo musical contemporâneo. Só fechar a janela agora. Clico duas vezes onde aparece a insrição Inst 1 e, na janela flutuante, mudo para Piano. Aproveito para clicar o ícone Double Barline no topo da janela para que não fique compassos vazios na partitura. Já ficou com uma cara melhor.


Figura 5 - a partitura já com cara de partitura.

Agora, cifra.
Clico com o botão direito exatamente onde quero inserir uma cifra (no primeiro tempo do primeiro compasso) e escolho a opção Insert > Chord Symbol. A janela Chord Change abre-se. Nesta escolho nos campos Chord o acorde de ré menor com nona e clico ok.

Agora basta inserir as notas para a mão esquerda e partir para a impressão indo ao menu File, escolhendo a opção Print Score e pressionando o botão Print, alternativamente posso pressionar o botão PDF para gerar um documento que pode ser remetido por email. Pronto! Um material impresso de boa qualidade, mas de conteúdo dúbio.


Figura 6 - a partitura finalizada.

Felizmente existe o Sibelius para acomodar a escrita musical em um patamar mais elevado e de forma mais fácil, mas se você acabou de adquirir este incrível aplicativo e já tem material MIDI no Pro Tools que você quer transformar em partitura use o recurso nativo de exportação para o Sibelius conforme os procedimentos abaixo:

A opção Send to Sibelius do menu File abre imediatamente o conteúdo da janela Score Editor no Sibelius. Para fazer isso, abra a janela Score Editor e use o comando. Automaticamente, o Pro Tools abre o Sibelius para você. Atente que é necessário ter ao menos o Sibelius 5.
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Caso você queira usar um arquivo de Sibelius em outro computador ou enviá-lo para alguém, abra a janela Score Editor e use o comando Export to Sibelius do menu File. Este comando exporta as informações MIDI da janela Score Editor para um arquivo do tipo .sib. Salve-o onde quiser ou mande-o pela internet.


Ah, se o Mozart tivesse o Pro Tools ou o Sibelius para fazer música! Assim a gente ia poder saber como ele tocava realmente, estudar suas nuances, contemplar um gênio. Ainda bem que a tecnologia da época dele já estava avançada a ponto de ter ao menos as ferramentas clássicas que usamos até hoje: papel e caneta. Bom, pelo menos ainda servem para escrever aqueles bilhetes amarelos que ficam presos no monitor de vídeo.

Originalmente publicado na revista AM&T 268

Trocadalho do Carilho das DAWs

É Logic que para ser um Digital Performer em um Studio One Professional tem que ter muita Audacity. O segredo é usar todas as Pro Tools da forma correta para não ficar com o Cubase Nuendo, daí é só Samplitude direitinho que o sucesso virá à jato, em Mach 5. Saia da Garage Band para o mundo e faça tudo Live, pois a Reason disso está clara como Kristal: basta ser SADiE, ter uma MusE na cabeça, ligar o Sonar e tudo vai parecer um Rosegarden. O trabalho vai ser Ardour, mas seu MultitrackStudio vai ficar Pro 5. Espero que tenha Audition o que falei. Pronto, não perca mais tempo, vá Mixcraft! Ah, não se esqueça do anti Acid para curar a azia do si sustenido, que chega a dar dó, ou melhor dizendo: DAW.