2006
Corel
Live PA com o Ableton Live
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| O Seizo era pança, mas agora é o Paulo Cintura. Yeah, Yeah! |
Quase no século passado, quando eu tocava com a minha banda (eletrodomestic), o mundo era diferente. Eu me lembro de uma conversa que tive uma vez para fechar uma apresentação que foi mais ou menos nesse teor:
- Então, aqui está o material da banda com o nosso release, fotos, a nossa pasta de recortes de jornal e também a nossa demo.
- Ok. que tipo de som vocês tocam?
- Bem, a gente toca uma mistura de música eletrônica com bossanova e algumas pitadas de house e trip hop.
- (silêncio) E a formação?
- Eu toco computador (choque!) [OBS: Eu até brincava dizendo que era uma mousecista...], depois de vez em quando eu toco também um teclado junto e um violão eventual tudo ligado no computador. Tem também um flautista que passa suas flautas por um pedal de guitarra e uma vocalista que toca percussão e que também controla o seus próprios efeitos numa pedaleira. Escuta a demo para você conhecer!
- E não tem baterista? nem baixista?
- Não, todas as bases estão no computador, que eu vou soltando e mudando tudo em tempo real conforme a pista vai curtindo, daí a gente toca em cima...
- Tipo Playback? (pequena franzida de testa...)
- Não, Live PA.
- Entendi, tipo playback né?
- Onde fica o banheiro?
- Onde fica o banheiro?
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| O dito cujo |
Essa conversa não foi na época do Machado de Assis, foi poucos anos atrás, e obviamente não conseguimos nem deixar o material na casa pelo medo do proprietário de um possível público alienígena, dentre outras coisas... Confesso que não fazendo parte do mainstream musical pop ficava difícil achar lugar para tocar na minha cidade, pois ainda eram mínimos os lugares preparados para esse tipo de setup e conceito musical, tanto que acabamos tocando mais fora ou em alguns lugares considerados “prafrentex”, mas hoje, já no novo século, o mundo está mais acostumado com esse tipo de formação de banda e com o computador no palco e também com o fato de que soltar bases não é mais playback; aliás, estamos caminhando cada vez mais para isso!
O Live, desde as primeiras versões, foi meu companheiro de palco. Eu fazia todas as bases e montava as diferentes partes em Session Mode e disparava do próprio teclado do computador, conforme o molho fluia. Junto atacava também um teclado ou o violão; e a turma tocando e cantando em cima. Depois veio o MIDI e os instrumentos virtuais (Reason, propriamente dito), foi o casamento perfeito: salve o Rewire; também aproveitei para usar os canais de áudio para processar o violão e uma guita com plug-ins, conforme meu acervo cresceu.
Como muita gente me pede para montar um setup personalizado para tocar ao vivo e/ou produzir música com loops eu sempre acabo sugerindo o Live, justamente por ter dado tão certo para mim. Foi assim com meu amigo Allen da Família Lima, que hoje é fã desse programinha esperto para palco e estúdio. Por conta disso hoje vou mostrar meu setup atual, pois envolve desde o disparo de bases (loops), MIDI, áudio, plug-ins de instrumentos e efeitos e o controle de tudo isso em tempo real, justamente para você avaliar e poder adaptar essa idéia para você também, vamos à receita do prato principal:
Ingredientes:
1 Interface de áudio (você vai querer uma de baixa latência e com pré-amplificador integrado, caso você vá usar mic ou tocar instrumentos acústicos e elétricos)
1 Live (A versão Lite, que é gratuita e que acompanha interfaces de áudio, já serve muito bem.)
1 Teclado controlador MIDI/USB ou um teclado convencional com saída MIDI, nesse último você precisa de uma interface MIDI/USB também (de preferência integrada na interface de áudio)
1 superfície de controle com knobs pelo menos (pode estar integrada no teclado MIDI/USB (uma boa opção para quem não toca teclado são esses controladores de 25 teclas com knobs. As teclas podem servir para habilitar canais, ativar efeitos...)
Loops e bases prontas
Instrumentos virtuais e plug-ins VST ou AU à gosto.
Caixas de som (Ensaio), fone de ouvido (produção) ou PA (Show com Live PA).
Passos iniciais:
Começe com um computador limpo e recém formatado de preferência para garantir uma performance com menos riscos. Baixe o driver mais atual de seus equipamentos e deixe o sistema operacional totalmente atualizado.
Instale a interface de áudio, o Live e todos os plug-ins que irá utilizar e crie uma pasta com todas as suas bases e loops.
Conecte a interface de áudio no computador e também o seu sistema MIDI, ligue seus instrumentos acústicos nos canais da interface que tem pré-amplificadores (caso sejam necessários) e conecte as saídas principais de áudio no seu sistema de som.
Configurando o Live de uma forma simples:
Abra o Live e vá na área de preferências.
Na guia Look Feel escolha a organização de cores que você preferir na caixa Skin; normalmente as de maior contraste funcionam melhor à noite no palco. [Figura 1]
Na guia Audio selecione ASIO (PC) ou Core Audio (Mac) na caixa driver Type. Nas caixas seguintes (Audio Input Device e Audio Output Device escolha a sua interface de áudio). Abaixo dessa área, em Channel Configuration, clique nos botões Input Config e Output Config e habilite apenas os canais que você irá utilizar realmente, pois quanto menos canais habilitados, mais recursos estarão disponíveis para os seus plug-ins. [Figura 2]
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| Figura 2 |
Na guia MIDI/Sync Input selecione o botão Remote que fica ao lado do nome de sua interface MIDI ou teclado controlador/superfície de controle para que fique ligado, assim como o botão Track. Isso garante que os knobs do seu teclado controlador ou superfície de controle possam controlar o Live e as teclas também. [Figura 3]
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| Figura 3 |
Para usar instrumentos virtuais no Live e plug-ins de outros fabricantes eles devem ser vistos pelo Live. Vá no explorer do Live (no canto esquerdo da tela e veja se eles aparecem na guia Plug-ins Devices (ícone de tomada). Caso contrário clique em Activate ou vá nas preferências, na guia File Folder e clique em Use VST Plug-in System Folder, se precisar clique em Rescan. [Figura 4]
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| Figura 4 |
Caso nada aconteça é possível que você tenha instalado os plug-ins fora do lugar padrão. Clique então em Use VST Plug-in Custom folder e depois em Browse. Uma janela se abre para você mostrar ao Live onde estão instalados os seus softwares.
Fazendo um template:
O template salva a organização da sua sessão do Live para que você possa criar sessões novas para cada show, mas já com todas as configurações basais feitas.
Comece salvando a sessão do jeito que está utilizando o comando Save Live Set do Menu File e lembre de salvá-la conforme for fazendo suas alterações.
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| Figura 5 |
Visualize o Live em Session Mode ( Menu View > Session) e comece a configurar.
Áudio in (instrumentos e Rewire):
Crie os três canais de áudio - dois mono para os instrumentos e um estéreo para o Rewire através do menu Track opção Create Audio Track. Para transformar os canais estéreos em mono e para que cada um receba o sinal de um canal específico da interface de áudio clique sobre a caixa que aparece 1/2 abaixo da caixa Ext. In na área Audio From no canal 1 e selecione a opção 1. No segundo canal clique na mesma área e escolha a opção 2. No canal 3 Escolha a opção Reason na caixa Ext. In e abaixo a opção 1/2: Mix L, Mix R. Esse é o canal de Rewire de áudio, por onde chegará o som do Reason. (Aqui pode ser qualquer outro programa que aceite Rewire também). Renomeie os canais clicando sobre eles com o botão direito e escolha a opção Rename. [Figura 5]
Obs: Se por acaso você não estiver vendo essas áreas de configuração vá ao Menu View e escolha a opção In/Out.
Depois de tudo organizado ao final você pode esconder essa área para ganhar mais espaço na tela.
Arraste do explorer do Live, da guia Plug-in Devices ou da guia Live Devices (efeitos nativos do Live) os plug-ins que desejar para os canais de áudio para que o sinal de cada um seja processado individualmente e em tempo real. [Figura 6 e 7]
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| Figura 6 |
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| Figura 7 |
Se quiser economizar processamento use as mandadas auxiliares (canais de Return) arrastando para lá os efeitos e abrindo os botões Send dos canais de áudio.
MIDI
Abra o Reason e crie o seu rack de instrumentos virtuais. Nomeie a sessão do Reason com o mesmo nome da sessão do Live e coloque ela na pasta da sua sessão do Live quando você for fazer a sessão do show propriamente dita. [Figura 8]
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| Figura 8 |
Vá nas preferências do Reason e desabilite o seu teclado controlador ou interface MIDI na guia Keyboards and Control Surfaces, assim o sinal MIDI não será duplicado e o rotemaneto fica exclusivo no Live.
No Live crie a quantidade de canais MIDI relativo ao número de instrumentos no rack do Reason que você criou, nesse exemplo são 3. No primeiro canal MIDI, na área MIDI To escolha a opção Reason onde aparece No Output e na caixa logo abaixo escolha o nome do módulo de som do Rack do Reason que vai ser comandado por esse canal, repita esses passos para os outros canais MIDI. Lembre de renomear esses canais também e de salvar a sessão. [Figura 9]
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| Figura 9 |
Dica: Nessa configuração todo o sinal MIDI é roteado para o Reason e o som volta ao Live através do canal de áudio de Rewire que criamos no passo anterior. Se desejar que cada instrumento do Reason chegue separado no Live ligue os módulos do rack direto na Hardware Interface e no Live crie canais de áudio e na guia Audio From, abaixo da opção Reason escolha os canais da Hardware Interface onde estão conectados estes instrumentos.
Nesse setup também vou utilizar um instrumento virtual de outro fabricante, o Reaktor, use o qual você quiser e em qualquer quantidade. Crie um canal MIDI e arraste ele para lá. Automaticamente o canal vira de áudio logo após o instrumento virtual insertado e assim podemos colocar plug-ins de áudio na sequência, muito útil. [Figura 10]
Agora faltam os canais para as bases. Crie quantos canais de áudio forem necessários para suas bases, loops e músicas inteiras [Figura 11]
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| Figura 11 |
Controle
Com tudo isso pronto vamos definir os controles. Essa tarefa é personalizada e você pode fazer de vários jeitos. A maneira que funciona para mim é usar os knobs para controlar os volumes do Mixer e o teclado do computador para habilitar os canais.
Clique na caixa MIDI ao lado do medidor de uso de CPU no canto superior direito para entrar no modo de controle MIDI, o Live muda de cor.
Clique no medidor de sinal (VU) do primeiro canal e gire um Knob na sua superfície de controle, o controle aparece. Faça isso para todos os canais, inclusive o Master. [Figura 12]
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| Figura 12 |
Se você tiver mais recursos de controle direcione knobs, faders e pads para quais parâmetros desejar, inclusive para efeitos que estão dentro dos canais. Desabilite o MIDI para voltar ao normal.
Se quiser usar o teclado QWERTY do notebook para controlar a ativação dos canais do Live clique no botão KEY. Selecione o botão de ativação de gravação dos canais 1 e 2, depois a habilitação do canal de Rewire, depois os de MIDI e assim por diante, da forma que desejar. [Figura 13]
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| Figura 13 |
Não esqueça de desabilitar o botão de Computer MIDI Keyboard logo na lateral esquerda do botão KEY.
Existem infinitas maneiras de organizar esta parte, mas a mais chata é a mudança de banco nos instrumentos virtuais (presets). O mais simples é criar canais cada qual com o timbre a ser utilizado e simplesmente abrir o canal na hora de tocar, mas pode ficar meio pesado pela quantidade de intrumentos virtuais, portanto isso vale se você for usar poucos timbres. Se você for usar muitos timbres diferentes do mesmo instrumento, o melhor é automatizar uma tecla ou botão para ser a troca de preset, mas isso depende do instrumento que você está utilizando e provavelmente tenha que ser feito através do próprio software. No Reason você pode usar o comando Select Prev ou Next Patch for Target Device do menu Additional Remote Overrides e criar uma lista sequencial dos seus presets para cada instrumento, eu sugiro ter uma superfície de controle dedicada para esta tarefa, mas de qualquer forma, cada um vai ter o seu jeito de fazer.
Visualização
Ajuste a visualização do jeito que quiser arrastando as beiradas das diferentes áreas da tela, aumentando os medidores ou as casas de clipes, conforme sua necessidade. [Figura 14]
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| Figura 14 |
Deixe sua pasta visível no explorer do Live navegando até ela e depois clique com o botão direito e escolha a opção Set as Root, tudo que estiver acima na hierarquia some. Agora que está tudo pronto, vá nas preferências do Live na guia File Folder e clique o botão Save, da opção Save Current set as Default, clique ok e pronto. A partir daqui toda vez que você abrir o Live ele abre com toda essa configuração que você criou. Basta personalizar o show do dia e salvar em sua pasta específica. Excelente!
Usando o Template no palco:
Abra o Live e visualize-o em modo Full Screen (Menu View > Full Screen). Toda sua configuração estará pronta.
Popule as casas de clipes dos canais para as bases conforme desejar.
Dica:Lembre que o Live automaticamente ajusta o andamento dos trechos que você arrasta para dentro, se você quiser que uma música toque no seu tempo original clique em seu clip duas vezes para ele abrir na Clip View e desabilite a caixa Warp da área Sample. Se você quiser que ele não seja uma loop desative essa opção também nesta mesma área, assim ele para quando acabar.
Dispare as suas bases usando o mouse ou selecione um clipe e depois vá usando as setas e o Enter/Return. Se quiser, configure algumas teclas do teclado controlador para esta finalidade.
Conforme a base toca habilite os canais de áudio onde estão os instrumentos acústicos através das teclas do computador para o sinal passar, e toque junto. Ajuste os efeitos e os volumes com os Knobs. Quando for tocar os instrumentos virtuais habilite os canais MIDI através do teclado do computador também, inclusive vários ao mesmo tempo para fazer layers, ou da forma que tiver optado. [Figura 15]
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| Figura 15 |
Não esqueça de programar alguns botões para ajustar equalizadores e outros efeitos também no canal Master e nas mandadas auxiliares.
Aproveite e coloque canais de áudio para que os outros membros da banda possam usufruir de plug-ins e também ponha algumas músicas inteiras no Arrangement View, caso queira um show linear de acordo com uma linha do tempo, aliás, nada impede que você faça o que quiser.
Esse é um jeito simples de fazer um show cheio de recursos sonoros, com poucos equipamentos e que você pode colocar dentro de uma mochila para levar onde quiser. Pense nisso! Abração!
Originalmente publicado na AM&T #215 (mas aqui está um pouquinho diferente!)
Como fazer Aggregate Device
(Mac OS X apenas)
Atendendo a pedidos...
O Pro Tools 9 permite que se use a funcionalidade Aggregate Device (Nativo do Mac OS X) para somar canais de entrada e de saída de múltiplas interfaces de áudio conectadas ao computador, faça assim:
O Pro Tools 9 permite que se use a funcionalidade Aggregate Device (Nativo do Mac OS X) para somar canais de entrada e de saída de múltiplas interfaces de áudio conectadas ao computador, faça assim:
- Conecte mais de uma interface de áudio ao computador ou use uma interface de áudio externa e a built-in. Neste exemplo vamos ver como se faz esta última opção.
- Vá em Applications > Utilities e abra o aplicativo Audio MIDI Setup.
- Clique o botão + que aparece no canto inferior da tela, aparece uma nova Aggregate Device.
- No campo direito da janela selecione as entradas e saídas que deseja utilizar, clicando sobre seus respectivos botões Use (Usar). Automaticamente o botão Resample acende para as entradas e saídas que terão seus clock sincronizados. Alternativamente você pode ajustar o clock individualmente abrindo esta nova Aggregate Device no painel da esquerda através de seu ícone de triângulo.
- Clique sobre seu nome no campo da esquerda e digite outro para facilitar sua seleção no Pro Tools.

Update (20/06/11) - Achei na "papelada" virtual da Avid que apenas o Aggregate Device feito por eles (o Pro Tools Aggregate Device) é oficialmente testado e homologado. Qualquer outro é por conta e risco do usuário.) Uma que eu uso sem "xabu" é a built-in com Duet e funciona legal. Veja esse link para mais esclarecimentos.
Árvore da Vida
Minha homenagem às vítimas vegetais do vendaval em Campinas ontem...
Papel de outdoor ao contrário
Lápis Caran d'Ache
Papel de outdoor ao contrário
Lápis Caran d'Ache
Tá procurando o curso grátis do Ozone e do Cubase?
Reason Real Time Vocoder
Especialmente para os blogueiros!
Se você é que nem eu e adora os tecladinhos da Korg que tem Vocoder, mas até agora ainda não deu para comprar um, eu vou lhe apresentar a solução perfeita para criar vocais "A La Giorgio Moroder e Laurie Anderson" caso você tenha o Reason 5 instalado na máquina e déficit na conta bancária. Só fique esperto com o surgimento de um bigode esquisito...deixa para lá!
O Reason 5 tem entrada de áudio. Input físico. Então basta ligá-lo diretamente no Vocoder (BV 512) e sair usando no palco, na festa, na produção ou em qualquer outro lugar. Você só vai precisar de uma interface de áudio (que provavelmente você já tem), um microfone, um teclado MIDI e obviamente o Reason 5.
Vamulá:
1. Vire o rack (aperte TAB) e verifique no periférico AUDIO I/O se a entrada do microfone (a entrada física da interface onde o mic está ligado e que provavelmente é a 1) do campo AUDIO INPUT está ligada a entrada SAMPLING INPUT.
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| Figura 1 |
2. Vire o Rack de novo (TAB), aperte o botão de monitoração e ajuste o ganho se precisar. Você tem que estar ouvindo o som do microfone agora. Desligue o botão. Pronto, o teste de sinal foi feito e concluído com êxito.
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| Figura 2 |
3. Vire o rack de novo (TAB para não esquerecer mais). Segure a tecla SHIFT apertada e clique em um lugar vazio do rack com o botão direito e crie um Vocoder, escolhendo a opção BV512 Digital Vocoder do menu flutuante. Perceba que ele é criado sem conexão. Desligue os cabos e ligue um cabo do conector AUDIO INPUT 1 (onde está o Mic) no conector MODULATOR INPUT do Vocoder.
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| Figura 3 |
4. Vire o rack de novo (TAB, certo?). Olhe no Vocoder e fale ao microfone. Veja os indicadores de nível de modulação se mexerem. Coloque o botão vermelho do lado direito em FFT (512), mas ainda não sai som. Porque?
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| Figura 4 |
5. Boa! Vire o rack mais uma vez e ligue dois cabos dos conectores OUTPUT LEFT e RIGHT do Vocoder na mesinha de som. Ah....
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| Figura 5 |
6. Clique sobre o Vocoder com o botão direito e escolha a opção CREATE e em seguida Thor Polyphonic Sinthesizer. Automaticamente o Reason liga as saídas deste na entrada CARRIER INPUT do Vocoder. Se não fizer, conecte-as manualmente. Vire o rack para conferir. Escolha um preset mais legal do que o batido EPIC POLY, fale ao microfone e toque seu teclado. Se precisar, ajuste o botão HF EMPH para que o som saia com mais definição. Atenção: o track do Thor tem que estar selecionado.
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| Figura 6 |
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| Figura 7 |
VOILÁ!
Real Time Vocoder!
Giorgio in the House!
Vá agora tirar "O Superman" da Laurie Anderson.
Abraços e bom Vocoding.
Dica: Troque o Thor por um NN-XT, NN-19, Subtractor, Malström ou qualquer outro módulo de som que quiser.
Ableton Live Follow Actions
Originalmente postado na revista AM&T # 205
Computador é um equipamento inanimado e teoricamente só faz o que a gente manda, porém existem momentos quando eles parecem ter vida própria e decidem que não querem mais rodar um programa ou param tudo para "pensar" alguma coisa bem no meio de uma produção com prazo apertado e não voltam mais.
Em vez de gastar processamento com essas atividades desconhecidas, se o computador tivesse um pouco de traquejo humano e sugerisse alguns temperos para o arranjo o ato de fazer música usando loops talvez pudesse se beneficiar, pois às vezes o resultado sonoro é um pouco estéril, sem muito movimento e personalidade.
Embora ainda não chegamos ao naipe de discutir com o computador sobre substituição de acordes ou polirritmia há recursos que ajudam a música fugir da previsibilidade, adicionando um pouco de surpresa ao projeto musical.
No Live este recurso chama-se Follow Actions e habita a região Clip View na guia Launch; cada clip tem o seu ajuste individual e é especialmente útil para quem utiliza o Session View para compor arranjos com loops.
Follow Actions
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| Figura 1 |
O Follow Actions é uma espécie de programação que controla a organização de reprodução de cada clip em um mesmo canal. Quando um clip é disparado o Follow Actions determina o que irá acontecer depois, por exemplo: após um determinado tempo do lançamento de um clip pode-se definir que o próximo clip na sequência (o de baixo) comece a tocar ou pode-se definir que irá tocar o anterior (o de cima); pode-se definir também que o clip toque mais quatro vezes e que depois pule para o último; ou que toque qualquer outro. É possível que a música acabe ou que aconteça alguma coisa oriunda do livre arbítrio da lógica do computador, mais conhecida como evento randômico.
Este recurso funciona para os clipes de áudio e de MIDI, mas somente para os que estão em um mesmo canal, sendo assim não é possível fazer o direcionamento para clipes que estão em outros canais. Podem-se organizar grupos de clipes simplesmente colocando vários deles em sequência na vertical e, para determinar vários grupos, é necessário separar sequências de clipes com uma casa em branco - não há limite para o tamanho dos grupos ou sua quantidade [Figura 1].
Quando em modo Play e com o Follow Actions ativado os botões de disparo dos clipes seguintes ficam piscando aguardando seu disparo.
Parâmetros ajustáveis
Os ajustes do Follow Actions são regidos por três parâmetros: Time Control, Chooser e Chance, sendo que estes dois últimos dividem-se em dois, A e B [Figura 2].
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| Figura 2 |
O campo Time Control define quando que os próximos parâmetros irão atuar após o clip ter sido disparado, sendo que este ajuste pode ser definido em compassos (bars), sua subdivisão em semínimas (beats) e sua subdivisão em semicolcheias (sixteenths).
Observação: A visualização deste parâmetro baseia-se na informação contida no campo fórmula de compasso na guia Clip. Lembre-se que esta informação é somente uma indicação visual e não afeta o clip, mas a visualização dos valores na guia Time Control podem mudar, por exemplo: Um compasso de um clip em 4/4 aparece 1, 0 e 0 na caixa Time Control, ao passo que se mudarmos a fórmula de compasso desse mesmo clip para 3/4 irá aparecer 1, 1 e 0 e o resultado de ambos será o mesmo.
O ajuste de fábrica para o campo Time Control para novos clipes, mesmo que sejam maiores do que um compasso é de um compasso; Vamos analisar um caso de um clip em 4/4: Pergunta: Como se faz para um clip com dois compassos tocar até o fim antes que o Follow Actions tome alguma medida? Resposta: Ajusta-se o valor para 2, 0 e 0. Pensando na direção oposta, como se faz para diminuir o tempo? Se você quiser que o mesmo clip toque somente até a terceira semínima, ajuste o campo Time Control para 0, 3 e 0 e assim por diante.
É importante notar que o Time Control governa as ações do Follow Actions imediatamente após o período definido em suas caixas somente se a quantização individual do clip estiver em Global ou None.
Uma coisa interessante é que o Follow Actions privilegia a visualização de acordo com a nota de maior tempo, portanto ele não deixa a gente digitar uma duração do tipo 0, 0 e 4, que se refere à quarta semicolcheia do compasso 4/4, pois seria o mesmo que digitar 0, 1 e 0, a primeira semínima; portanto se tentarmos fazer isso ele irá mudar o valor para este último automaticamente. Subdivisões de vanguarda são possíveis, como por exemplo: 1,2 e 3, que resultaria em uma ação acontecendo após um compasso, duas semínimas e três semicolcheias, ótimo para alternar clipes de texturas.
Este ajuste isoladamente não modifica em nada a ordem de reprodução dos clipes; para que a Time Control funcione é necessário indicar nos campos abaixo (Action A e/ou B e Chance A e/ou B) alguma ação a ser tomada e sua probabilidade, pois por default não há nada programado e o loop continuará tocando infinitamente (caso o botão loop estiver acionado).
São nove ações possíveis e que inclusive podem ser diferentes nos campos A e B, vamos a elas:
No Action: Nenhuma ação (o mesmo que o default "em branco")
Stop: Pára o clip no tempo determinado nos ajustes de Time Control, mesmo que o clip esteja com a função loop acesa.
Play Again: Toca o clip de novo.
Previous: Toca o clip acima.
Next: Toca o clip abaixo.
First: Toca o primeiro clip do grupo.
Last: Toca o último clip do grupo.
Any: Toca qualquer clip do grupo inclusive a si próprio.
Other: Toca qualquer clip com exceção de si próprio.
Note que em grupos compostos por apenas um clip, todas as opções de ações acima irão fazer com que o loop toque novamente no tempo determinado, com exceção das opções Stop e No Action.
Nas caixas abaixo ficam os campos Chance A e B, que regem a probabilidade das definições escolhidas nas caixas Actions A e B. Se escolhermos 1 na caixa Chance A e 0 na caixa B, por exemplo, a probabilidade de que a ação escolhida na caixa Action B venha a se concretizar é nula, ou seja, a Action A vai acontecer toda vez e de acordo com a definição do parâmetro Time Control. Por outro lado, se escolhermos 1 na caixa Chance A e 3 na caixa chance B, a Action A vai acontecer uma vez a cada 3 disparos desse clip (aproximadamente), portanto a ação presente na caixa B vai acontecer muito mais vezes. Embora neste cenário estes ajustes sejam definidos utilizando-se números precisos eles não refletem uma regra precisa, somente uma probabilidade, portanto pode ser que no exemplo acima os clipes se alternem uma vez a cada 3 vezes, ou 4. Se for necessário mudar clipes de forma previsível utilize o Time Control, exemplo: se o clip tiver um compasso e você quer que ele repita 2 vezes antes de mudar para o próximo, faça o Time Control ser o dobro do tamanho do clip (2,0 e 0).
Usos
A finalidade básica do Follow Actions é disparar clipes diferentes em série formando ciclos, mas tudo fica mais interessante se colocarmos algumas cópias dos clipes com pequenas variações entre eles para criar um pouco mais de vida no arranjo. Podem-se modificar as cópias utilizando filtros de envelope ou os Warp Markers.
Podemos usar o Follow Actions em conjunto com a ferramenta Legato também, que faz com que o ponto de reprodução dos clipes seja contínuo. Uma forma especialmente útil de utilizar esta combinação é para dar continuidade em clipes idênticos de melodias em áudio ou MIDI, porém cada um com ajustes diferentes na área de envelopes ou nos parâmetros dos clipes, assim a melodia sempre será a mesma, mas os efeitos não.
Outra experiência interessante é colocar na matriz um clip longo sozinho formando um grupo com um participante apenas e definir o Time Control do tamanho da introdução. Na caixa Action A define-se que o loop deve ser tocado de novo, escolhendo-se a opção Play Again e ajusta-se a Chance A para ser 4. Na caixa Action B escolhe-se None e define-se a Chance B para ser 1. Nessa configuração a introdução da música vai tocar aproximadamente 4 vezes e mais cedo ou mais tarde vai acabar tocando inteira por conta do ajuste da caixa Chance B [Figura 3].
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| Figura 3 |
Follow Actions e Warp
Como vimos na edição anterior (clique aqui para ver o artigo anterior), provavelmente o ajuste de Warp é o grande trunfo do Live, sendo este o responsável direto pelo time-stretching dos clipes, vamos agora ver mais um pouco do seu poder.
Usado em conjunto com os ajustes de Follow Actions podemos criar canais "vivos" criando grupos de clipes similares que se alternam randomicamente e com variações rítmicas. As alterações randômicas ficam por conta dos ajustes de Follow Actions, vamos ver então como fazer variações rítmicas usando os ajustes de Warp.
Quando um clip pequeno é "warpado" (saúde!) apertando-se o botão Warp da guia Sample, aparecem marcadores espaçados uniformemente ao longo de todo o clip e apenas o primeiro e último ficam ativos, os demais são apenas subdivisões da interpretação do Live e movem-se proporcionalmente entre si. Estes marcadores ativos são especialmente úteis para delimitar loops cortados sem muito critério, pois podem se tornar problemáticos para a interpretação de sincronismo do Live, portanto, simplesmente arrastando as extremidades dos marcadores de início e de fim ao ponto correto permite que o clip seja sincronizado adequadamente [Figura 4].
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| Figura 4 |
É no entremeio dos marcadores principais onde estão as verdadeiras possibilidades de modificações rítmicas dos clipes. Ativando estas subdivisões, clicando duas vezes diretamente sobre seus números, podemos ajustar quais samples coincidem com determinado tempo do compasso, modificando sutilmente, com intenção de corrigir um beat atrasado ou adiantado, por exemplo [Figura 5]
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| Figura 5 |
ou severamente, mudando completamente a característica rítmica de um loop, alterando a posição de vários marcadores [Figura 6].
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| Figura 6 |
Perceba que marcadores que não estão ativos continuam se deslocando de forma proporcional entre si e conforme a distância for se modificando, subdivisões aparecem automaticamente, facilitando novos encaixes. Para fazer pequenas variações é necessário habilitar ao menos três marcadores. Dois nas extremidades que não irão se mover (para não comprometer o restante do clip) e um que se deslocará em direção a um desses dois.
Ao espaçarmos dois marcadores de Warp ativos o Live irá tocar esse trecho mais rápido para que tenha o tempo correspondente entre os marcadores, ao passo que se encurtarmos essa distância a reprodução será mais lenta, sempre preservando o tempo definido entre eles, por exemplo: Se ativarmos os marcadores 1.2, 1.3 e 1.4 de um groove não importa para onde sejam arrastados, estes sempre irão ocupar o tempo de duas semínimas do compasso, entre a segunda e a quarta [Figura 7] .
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| Figura 7 |
Outros ajustes interessantes na área dos Warp Markers (a Sample Display/Note Editor) ficam por conta de modificações no Loop Brace (o trecho tocável do clip) na parte superior dessa janela e que pode ser definido arrastando-se os pontos limítrofes e o Strart Marker, que fica logo abaixo e define onde o clip irá começar sua reprodução [Figura 8].
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| Figura 8 |
Misturando qualquer proporção de todas estas ferramentas é possível temperar arranjos inertes, transformando loops em tracks vívidos que vão do simples arranjo fixo até o caos.
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