Minha homenagem aos caras de pau. Tem uns que até brotam...eu incluso.
Trabalhando andamentos no Pro Tools
Originalmente publicado na AM&T # 233 (adaptado ao blog)
[Figura 6]
[Figura 7]
Músico FLEX
A maioria de nós músicos têm motor bi-combustível, mas alguns acabam abastecendo demais com álcool e acabam tendo dificuldades até para sair do posto.
Aposto que há ao menos um leitor desse blog que já produziu um registro sonoro de algum colega com estas dificuldades ou até mesmo de si próprio.
Tá certo, não é você!
Nem eu!
Independentemente de graduação etílica alguns músicos tendem a pisar naturalmente no acelerador e acabam passando no sinal vermelho, estes são os que tocam adiantados - os eufóricos - e outros ficam tranquilamente olhando a paisagem durante o verde, estes são os que tocam atrasados, os viajandões, mas não se desespere, quando nenhuma outra rota alternativa funcionou, como: convicção de que é melhor gravar noutro dia, janta, cama, remédio, água, gatorade, chuveiro, estudo, aulas ou alguma outra forma criativa para otimizar o período de convalescença ou de experiência, conte com a cura digital imediata para todos os males de falta de beat no Pro Tools: a Elastic Time (Tempo elástico).
A Elastic Time é uma ferramenta que está no Pro Tools desde a versão 7.4, mas tem gente que já está no 9 e ainda nem a experimentou. Ela serve exatamente para corrigir trechos de áudio fora do andamento, colocando-as exatamente na grade ou referenciando-a com outros transientes, mas pode servir também como uma aliada criativa.
Outra função legal da Elastic Time é que os canais ativos neste padrão (os de áudio) podem se ajustar automaticamente a um novo andamento, exatamente igual aos canais MIDI, portanto veja que legal: Se há um trecho meio complicado de um solo para gravar, por exemplo, é possível diminuir o andamento geral da música para gravar tranquilamente em uma velocidade mais confortável, para depois voltar ao andamento original. Assim fica fácil ser cover do simpático Michael Angelo. Vamos ver agora algumas idéias de uso para as propriedades elásticas.
1. Acertando uma gravação meio fora do beat oriunda de bloqueio motor
causado por substância líquida não controlada (em quantidade inclusive) ou qualquer outra razão.
A primeira coisa a se fazer é definir o modo de visualização da régua de tempo (Timeline), através do ajuste Time Base Display, mantendo-a na opção Linear Tick Display. Clique no ícone de triângulo do campo Linearity Display Mode na régua logo acima dos canais na janela EDIT (deve estar aparecendo um ícone de relógio azul) e mude-o para Linear Ticks Display. O ícone muda para um metrônomo verde.
[Figura 1]
O manual do Pro Tools (Pro Tools Reference Guide Version 9.0) diz o contrário na página 769, mas acredito que se trata de um erro de digitação. Se quiser conferir eu transcrevo aqui o trecho supostamente equivocado. "When working on any tick-based material, such as MIDI notes or Elastic Audio events, make sure that Linear Sample Display is selected.". Este texto indica para habilitar o modo Linear Sample Display para trabalhar com eventos MIDI e elásticos, porém eu acho que deveria ser "When working on any tick-based material, such as MIDI notes or Elastic Audio events, make sure that Linear Tick Display is selected.", pois nesse modo os eventos MIDI e elásticos aparecem lineares na linha do tempo caso haja alguma variação de andamento, ao contrário da opção anterior, onde aparecem relacionados aos samples e aparentemente desalinhados.
Veja a diferença visual do primeiro modo e do segundo modo abaixo, Linear Sample Display em cima e Linear Tick Display embaixo, de acordo com uma automação de tempo.
[Figura 2]
[Figura 3]
Agora é necessário ligar a Elastic Time nos canais que você vai corrigir. Neste exemplo tenho um canal estéreo com um loop de bateria (em tempo certo) e um canal mono de contra-baixo (desalinhado).
Mude o Timebase Selector do canal a ser ajustado para Ticks (muito provavelmente está em Samples) e escolha um algoritmo na caixa da frente, por hora escolha a opção Polyphonic (veja o BOX para entender mais sobre os algoritmos).
[Figura 4]
A onda desaparece momentaneamente enquanto o Pro Tools aplica o algoritmo e uma nova região aparece com o ícone de amuplheta no final, indicando que é uma região elástica.
Agora mude a visualização da forma de onda para Warp.
A visualização da onda fica cinza e o Pro Tools coloca automaticamente algumas linhas que permitem que você ajuste a onda (principalmente os transientes) para o lugar que for necessário. Estas linhas podem ser ajustadas, criadas ou deletadas.
[Figura 5]
Agora vamos mover os transientes, mas primeiro os preparativos:
1. Clique na barra Bars|Beats para habilitar a grade (Grid) neste formato. Se o grid sumir, clique de novo. Ah! agora você sabe como apagar o grid.
2. No campo Grid (na barra de ferramentas) mude para uma resolução mais apropriada, eu escolhi a opção [1/16 note].
3. No canto esquerdo da barra de ferramentas escolha o Edit Mode Grid.
4. Selecione a ferramenta Grabber (a mãozinha) ou selecione a ferramenta Smart (todas as 3 principais ferramentas selecionadas pelo colchete acima delas).
Agora a edição propriamente dita:
1. Segure a tecla Shift apertada. Isso garante que ao arrastar um marcador (oficialmente chamado de Warp Marker) dois outros são criados para que as partes anteriores e porteriores não saiam do lugar.
2. Clique no Warp Marker que você quer arrastar e mude-o de lugar.
Veja abaixo as figuras do antes e do depois:
[Figura 6]
[Figura 7]
Pronto, a primeria "síncopa" (sendo bonzinho) está de volta no lugar, mas temos um problema agora: A próxima precisa ser ajustada, mas têm dois Warp Markers no meio do decaimento da onda, o que poderá resultar em um artifício audível, vamos tirá-los:
1. Mude a visualização da onda para Analysis. Os Warp Markers mudam para a cor preta.
2. Para deletá-los segure a tecla Option (Mac) ou Alt (PC) e clique com a ferramenta Grabber ou Smart naquele que desejar retirar. Para adicionar um novo marcador segure apertada a tecla Control (Mac) ou CTRL (PC) ao clicar com a mesma ferramenta. Para mudar sua localização basta arrastá-los sem segurar tecla modificadora alguma. Veja como ficou a onda sem 2 dos Warp Markers sugeridos pelo Software.
[Figura 8]
Agora é só voltar a visualização da onda para Warp e ajustar os Warp Markers até que tudo fique legal conforme a técnica explicada acima. Veja o resultado final abaixo:
[Figura 9]
Dica: Se você pretende sempre trabalhar com a Elastic Time há uma preferência que pode ser ativada para que novos canais sempre sejam criados com ela habilitada. Faça assim: Vá nas preferências do Pro Tools, na guia Processing e habilite a opção Enable Elastic Audio on New Tracks. Não se esqueça de criar novos canais com a base em Ticks ou mude-a no seletor do canal.
[Figura 10]
2. Mostrando aos seus amigos uma gravação sua tocando um solo igual ao do Michael Angelo.
Para produzir uma música com um solo de guitarra com velocidade próxima a da luz proceda das seguinte maneira:
1. Arraste algumas batidas de bateria e grooves de baixo que vieram gratuitamente no pacote do Pro Tools (da versão 8 em diante) diretamente para a área de edição e organize-as no bom e velho esquema de começo, meio e fim. Alternativamente use um preset do template ao inicializar o Pro Tools (apenas da versão 8 em diante) e faça uma música do zero usando as sugestões de canais MIDI e de áudio alí presentes.
2. Com a música pronta habilite um canal de áudio para gravação onde sua guitarra estiver chegando (aproveite para testar os plug-ins Eleven Free ou o Sans Amp que vêm de graça, ambos tem um som excelente).
3. Transforme os canais de áudio em elásticos, mudando a base para Ticks, caso estejam e Samples, e escolha o algoritmo Polyphonic.
4. Abra a régua Tempo clicando no triângulo e modifique o andamento arrastando a linha verde para baixo para um valor que seja por volta da metada da música original ou menos. Aqui mudei para 60.
5. Grave o solo tocando o mais rápido que puder em cima da música que estará lenta.
[Figura 11]
6. Desabilite o botão de gravação do canal e volte na régua Tempo para aumentar o andamento para a estratosfera. A idéia e deixar o solo ficar com mais do que o dobro da velocidade normal e a música em seu andamento original, mas se quiser seja abusado e aumente ainda mais o tempo, escolhi 147.
[Figura 12]
7. Faça um bounce e mostre aos seus amigos sua nova destreza.
3. Alterando o andamento de uma sessão pronta.
Ter a possibilidade nas mãos de alterar o andamento de uma sessão é útil para acomodar as expectativas, pois um dia a gente acha que está rápida e no outro parece estar lenta. Por isso mantenha os canais de áudio em modo Elastic, produza no clima do momento e tenha a liberdade para escolher o tempo final quando quiser.
Como fazer:
1. Transforme todos os canais (de áudio apenas, pois os de MIDI já mudam automaticamente de andamento nas automações de tempo - contanto que suas bases estejam em Ticks e não em Samples!) em canais elásticos mudando suas bases para Ticks e definindo um algoritmo.
2. Abra a régua Tempo e arraste a linha horizontal para cima para o andamento ficar mais rápido ou para baixo para ficar mais devagar.
Alternativamente você pode ajustar o andamento na janela de transporte: Clique no ícone do Maestro para desligá-lo. Clique no número acima deste ícone e digite outro, este é o andamento da sessão. Se você quiser usar a função TAP, clique neste mesmo lugar e pressione repetitivamente a tecla "T". Note que as regiões ficam vermelhas quando o algoritmo chegar ao seu limite sem criar artifícios, mas se esta é a intenção, siga para o próximo item abaixo.
[Figura 13]
4. Usando a janela Elastic Properties criativamente.
Qualquer trecho de áudio elástico pode ser processado com a janela Elastic Properties de várias formas. Abra-a da opção Elastic Properties do menu Region.
Esta janela permite que você altere várias configuração que afetam a região selecionada, em especial os botões [1/2] e [X2] que dividem o tempo desta região ao meio ou a multiplica por dois, respectivamente.
[Figura 14]
Outro aliado para redimir os ouvidos mais atentos contra os pecados da trave é o Beat Detective, que agora vem gratuitamente no formato multipista no novo Pro Tools 9, mas falarei dele em outra oportunidade. Aliás, você percebeu que as imagens dessa matéria são da nova versão 9? Achou diferente? O Pro Tools continua sendo praticamente o mesmo, portanto meu livro ainda é um grande amigo, mas dê uma olhada melhor nas figuras 11, 12 e 13... O logo novo do Pro Tools 9 aparece ao lado do nome da sessão.
Felizmente não há nenhum lei que proíba o uso de bebidas alcoólicas antes de tocar algum instrumento, tipo uma tacinha de vinho no restaurante antes da gig, mas não se esqueça que você pode ter que ir dirigindo, portanto ande com dinheiro no bolso para chamar um táxi ou peça um suco.
Você pode ter notado que, dependendo do tamanho da música, alguns canais demoram para ficar ativos para playback, devido à grande quantidade de cálculos realizados para transformá-los em elásticos. Na barra de ferramentas aparece um pequeno ícone que indica quando todos os arquivos estão prontos, ou segundo o termo técnico: Online. Este ícone chama-se Timeline Online Data Status e fica verde quando todos estão ok. Quando estiver em vermelho significa que algum está sendo processado ainda.
[Figura 15]
Os algoritmos do Elastic Time
Cada algoritmo serve para um determinado fim e suas janelas contêm parâmetros adicionais. Clique sobre seu slot nos canais para abrí-las.
Polyphonic - O mais usado. Especialmente útil para sons complexos e multi-instrumentais. Suporta pitch shifting. Use-o para praticamente tudo.
Rhythmic - Útil para regiões que têm ataques bem definidos.
Monophonic - Bom para regiões que necessitam manter seus formantes intactos, como vocais e baixos, mas não necessariamente é o ideal para todas as finalidades, pois não suporta pitch shifting. Não tem parâmetros adicionais.
Varispeed - Conecta o Time Stretching com o Pitch, assim como nas pick-ups de DJs. Quanto mais devagar, mais grave; ao passo que quanto mais rápido, mais agudo. Não tem parâmetros adicionais.
Tecnologia é Arte?
LA-2A
A palavra tecnologia tem sua derivação etimológica na palavra τέχνη (pronuncia-se téchne), do grego arcáico. Essa palavra normalmente era usada para se referir à prática da construção de artefatos levando-se em conta apenas o método racional da produção de algo com determinado propósito. Seu Deus era Hefaísto, figura mitológica que provia os demais Deuses gregos com artefatos de metal, daí sua imagem segurando um martelo ao lado de uma bigorna, entre outras tralhas. Estes "utensílios" criados por ele (no melhor estilo custom shop) como o cinto mágico de sua esposa Afrodite (que teve de casar com ele como punição de Zeus, coitado, ele era muito feio) e a armadura de Aquiles (não confunda com o Brad Pitt), podem ser considerados apenas artefatos tecnológicos de um desenvolvimento racional ou são obras de arte de um gênio, ou melhor, de um Deus?
Tá certo que exagerei um pouco nesse começo, mas com certeza existe por aí um monte de pedaços de plástico na forma de teclados e pedaços de pau na forma de violão e que são mais próximos de serem chamados de "estrumentos" musicais do que qualquer outra coisa. Também é certo que estamos rodeados de outros tantos que com certeza passaram muito longe do Olimpo, mas, nesse mar de porcarias, existem ilhas que são objetos com personalidade e que realmente têm o dom divino da arte, que é o de criar emoção. Dentre estes há aqueles que são simplesmente lindos pela sua simplicidade e genialidade, outros pela sua complexidade e todos eles podem receber tranquilamente o status de peças de museu, residindo ao lado de um Botticelli ou no mínimo em alguma ala do MOMA.
Com certeza há um gênio por trás destes equipamentos fantásticos, alguém provavelmente obcecado e dedicado à extensão das margens do conhecimento e com a busca incansável pelo sublime sem se preocupar se seus produtos vão sair aos fardos de alguma prateleira de supermercado. O ensejo motivante destes gênios é a busca pelo diferente, pelo perfeito, pela vanguarda e está em tudo aquilo que resume-se em uma coisa maravilhosa que não tem classificação de tão abstrata, mas que podemos entender como algo que mora acima da linha limite da normalidade (quem quiser entenda Threshold) e que irão transformar a vida simplesmente pela sua existência e fazer parte da história. Arte?
Na Arquitetura, a vertente que mais se assemelha a esse pensamento é a Modernista, intensamente vivida na escola Bauhaus, fundada por Walter Gropius. Alí buscava-se no período pós-guerra um novo design baseado no máximo da eficiência com o mínimo de interferência, onde a forma é simplesmente fruto da função; é o racionalismo funcional - entende-se "Less is More". Um dos grandes arquitetos desse movimento foi Mies Van der Rohe, que inclusive foi diretor da Bauhaus, e seu estilo clean é absolutamente musical, daí a incrível relação música e arquitetura, enfim, como aqui não é a revista Arquitetura & Construção, no áudio temos um excelente representante deste setor filosófico: o compressor LA-2A da Teletronix (que depois virou Urei e atualmente é reeditado sem alterações pela Universal Audio). Basta passar um sinal por ele que a mágica acontece e até desligado ele tem um charme.
Podemos até dizer que, assim como alguns vinhos, este compressor tem taninos maduros, notas achocolatadas e final aveludado, e acedite: estamos falando de um equipamento mono com apenas um In e um Out e dois botões operacionais no painel com a única função de reduzir a dinâmica do sinal que passa por ele.
E quando abrimos sua tampa frontal o que aparece? Um lindo esquema de montagem ponto-a-ponto meticulosamente organizado. Imediatamente me vem à cabeça a imagem de seu criador, submerso em pensamentos dedicando-se à produção de algo que seria revolucionário na década de 60 e incrivelmente desejado nos dias de hoje.
Porém tome cuidado com o culto à technologia! Existe um precipício que separa audiófilos de audiotas e estes últimos são facilmente influenciados pela falsa estrutura filosófica que nosso meio cria, tipo: É caro então é bom!
Obviamente têm coisa cara boa mesmo, mas tem muita coisa cara ruím. Neste mundo, onde temos que levar em consideração a influência do dinheiro no quesito capacidade é fato que existem por aí estúdios cheios de porcarias! Visitei vários estúdios onde há pilhas de tranqueiras que acendem só para impressionar clientes; em outros vi equipamentos caríssimos ligados de forma errada (quando estavam ligados) e com cabos de origem duvidosa, outros com periféricos inadequados ao trabalho pretendido e no pior dos casos, estúdios repletos de equipamentos por questão de status, mas na hora do "vamos ver" a gravação vai no Vegas* mesmo porque o cara não sabe usar o que tem. Ora! Não seria o natural aprender as possibilidades e recuros para depois comprar certo boas coisas excluindo o impulso? Ser um profissional realmente capacitado e ser o diferencial? Ter equipamentos corretos que não foram comprados apenas para servirem de fachada aos abastados de dinheiro e fracos de discernimento?
Nesse cenário tem muita gente produzindo muito mal com um monte de excelentes equipamentos e muita gente gravando muito bem com um ou dois equipamentos.
Não se esqueça que muito mais importante que a marca em si, nos equipamentos que realmente tem personalidade, o maior diferencial está na história de seus criadores, é o caso de Jim Lawrence (criador do circuito de ganho de redução do LA-2A, o elemento óptico T4), Bill Putnam, Robert Moog, Rupert Neve, John Hardy e mais alguns Deuses mitológicos. Estes equipamentos devem ser cultuados sim, pois na verdade o que estamos cultuando é um cérebro ultracapacitado que criou uma obra de arte e não apenas um conjunto de capacitores e diodos que fazem alguma coisa.
Você pode achar que vivemos em um mundo injusto, onde, a cada dia que passa, somos inundados com "revamps" de produtos que fazem a mesma coisa e que podemos comprar ou que estamos vivendo o eterno desejo onírico e inútil de adquirir algum equipamento sério que realmente faça o som sair gordo e quente que nunca acontece, pois o cheque especial não tem saldo, tem escola do menino, o pneu tá velho, a limite do cartão aumentou...
Ledo engano! Tecnologia não é a única solução. De nada adianta comprar uma TV Full HD LED 3D 480Hz e ligar um conversor UHF nela recebendo sinal da antena parcialmente despedaçada no telhado! Não vai ser o violão de pinho canadense, jacarandá da Bahia e ébano indiano que vai diminuir as horas necessárias de estudo e fazer a bachianinha sair melhor dos seus dedos. Não adianta investir em um Pro Tools HD para digitalizar sua antiga coleção de fitas cassete que nem eram de dióxido de cromo. As únicas coisas que vão acontecer são: ser possível gravar em altíssima qualidade um sinal pobre, tocar notas erradas lindamente projetadas no entorno e assistir chuviscos em 1080p. Esqueça o equipamento em um primeiro instante e invista em cultura e depois vá buscar credibilidade naquilo que escreve a história do áudio, e acredite: Quando chegar a hora de você conseguir compará-los (e ela chegará!), coloque um LA-2A em seu setup meticulosamente estudado e constituído e proceda da seguinte maneira para comprimir maravilhosamente seus inputs captados magnificamente, especialmente vocais:
1. Ponha todos os dois botões centrais à esquerda na posição 0.
2. Ligue o LA-2A através da chave on à direita. (Estou aumentando a quantidade de passos só para parecer mais complicado!)
3. Coloque a chave da esquerda na posição Compress caso queira comprimir e não limitar. Este ajuste detém uma curva de compressão mais suave.
4. Coloque o botão da direita na posição Peak Reduction para que o VU exiba a quantidade de ganho de redução (eu adoro esse termo: ganho de redução!). A agulha deve ficar em 0 quando não há sinal passando pelo compressor, se não estiver estacionada nesta posição desrosqueie a porca do parafuso do lado esquerdo com uma chave de boca e vire lentamente o potenciômetro metálico com uma chave de fenda para calibrar a agulha do mostrador em 0, reaperte levemente a porca com cuidado.
5. Abasteça a unidade com sinal de áudio e aumente o botão Peak Reduction (o grande da direita) até obter a quantidade desejada de compressão, vá monitorando o VU onde a agulha irá movimentar-se da direita para a esquerda (lembre-se que estamos monitorando o ganho de redução) até atingir os valores pretendidos. Nesta etapa não ouve-se nenhum som.
6. Aumente o botão Gain (o da esquerda) até o volume estar adequado, se você quiser mude o botão de visualização do VU para a posição Output adequada (+4 ou +10) para medir a intensidade do sinal de saída do compressor.
Resumo jocoso:
1. Aumente o botão Peak Reduction.
2. Aumente o botão Gain.
Realmente este compressor óptico valvulado é um legítimo representante do paraíso tecnológico que traz em si a personalidade de um gênio que fez arte através da tecnologia e vale ser admirado como objeto de arte, mas como todo equipamento, ele não é útil em todas as situações, assim como alguns microfones e prés default também não são ótimos para todos os vocalistas. É por isso que os estúdios de verdade sempre necessitam ter muitos equipamentos (e bem caros na sua maioria), mas não fique triste, para nós, meros mortais assalariados e profissionais liberiais, deixo uma motivação em um ditado popular remixado: Quem estuda, trabalha e economiza sempre alcança! Abraços e até a próxima!
* O Sony Vegas é um software de edição de vídeo e que é erroneamente usado para sequenciar áudio, apesar de fazê-lo adequadamente sua estrutura para tal finalidade não é tão intuitiva como os softwares de produção musical, o software adequado deste fabricante para produção de áudio é o ACID Pro.
Rewire de Reason e Pro Tools
Olá, me perguntaram aqui no blog com que se faz Rewire do Reason com o Pro Tools. Achei melhor fazer um post para todo mundo. Abs.
Rewire é um cabeamento invisível entre o Pro Tools e o Reason. Os dois software ficam unidos e tocam em sincronismo. Com o áudio do Reason chegando no Pro Tools podemos processá-lo com seus plug-ins e também gravar o sinal.
A dica é fazer Rewire de áudio e de MIDI, veja como fazer:
Rewire de áudio:
1. Abra o Pro Tools.
2. Crie um canal Auxiliar estéreo para receber o som do Reason e em um slot de insert escolha a seguinte opção: Multichannel plug-in > Instrument > Reason. A tela do plug-in abre com a opção Mix L - Mix R (estas são as saídas 1 e 2 da Hardware interface do Reason.
3. Abra o Reason caso ele não abra automaticamente. Pronto! O som do Reason sai pelo Pro Tools e ambos ficam sincronizados. Se você quiser mandar sinais de áudio individual para o Pro Tools conecte os periféricos na Hardware interface e abra quantos canais Auxiliares quiser no Pro Tools, daí em cada um abra o plug-in de rewire conforme descrito acima e escolha a entrada no seletor. Baba.
Obs: Se desejar que os diferente módulos do Reason enviem som individualmente para o Pro Tools, crie a quantidade necessária de canais Auxiliares (a mesma quantidade de módulos) e em cada canal crie um Plug-in de Rewire diferente sendo que cada um com um ajuste de canal diferente na caixa Rewire. (cada canal disponível reflete um canal da Hardware Interface do Reason. No Reason ligue os diferente módulos diretamente na Hardware Interface.
1. Crie no Pro Tools a quantidade de canais MIDI que seja compatível com a quantidade de módulos presente no Rack do Reason.
2. Em cada canal MIDI, na caixa de seleção de saída, selecione o módulo do Reason que este canal MIDI irá controlar. Todos os módulos do Reason presentes no rack aparecem como opção na lista.
3. Arme o canal do MIDI e toque o módulo do Reason via ProTools. Grave o MIDI no Pro Tools.
Importante: Se o Reason estiver configurado para receber informação MIDI os módulos irão ser disparados simultaneamente pelo Pro Tools e pelo Reason também, duplicando a informação MIDI e criando um efeito tipo Chorus por conta das diferentes latências. Para evitar isso desabilite o recebimento de informações MIDI no Reason através de seu painel de controle.
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